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Dólar dispara após Trump tarifar o Brasil, mas perde força e se acomoda abaixo de R$5,55

Notas de dinheiro brasileiro e dólar americano em destaque, com foco na diversidade de moedas e sua importância econômica.

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar subiu ante o real nesta quinta-feira após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros a partir de agosto, mas a divisa encerrou longe da cotação máxima do dia e abaixo de R$5,55, indicando certa acomodação depois do impacto inicial.

A moeda norte-americana à vista fechou com alta de 0,69%, aos R$5,5416. No ano, a divisa acumula baixa de 10,32%.

Às 17h03, na B3 o dólar para agosto — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,71% em um claro sinal de acomodação, aos R$5,5715.

No fim da tarde de quarta-feira, com o dólar à vista já fechado, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 50% sobre todas as exportações do Brasil para o país, vinculando a decisão ao tratamento recebido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sendo julgado por planejar um golpe de Estado.

O anúncio fez o dólar para agosto — cujas negociações se encerram às 18h30 — disparar para além dos R$5,60, com investidores adicionando prêmios de risco às cotações.

“É natural que, com notícias que causem impacto, haja um efeito manada e todo mundo corra para o mesmo lado. Aí o dólar disparou no fechamento do mercado”, comentou João Duarte, especialista em câmbio da One Investimentos.

Nesta quinta-feira, o dólar à vista – que na véspera havia encerrado antes do anúncio de Trump – disparou na abertura, ajustando-se ao novo cenário. Às 9h07, a moeda norte-americana à vista marcou a cotação máxima de R$5,6229 (+2,17%).

Passado este primeiro impacto, ainda durante a manhã o dólar à vista perdeu força e a moeda para agosto se firmou em baixa, em movimento que ocorreu em sintonia com a acomodação das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) e do Ibovespa.

“O mercado obviamente precifica o risco logo de cara. Mas hoje houve um alívio, com o dólar (à vista) voltando para a casa dos R$5,55. Isso porque, apesar do discurso pesado (do governo Lula), pode haver espaço para uma saída negociável”, disse Duarte.

Na noite de quarta-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em nota, que qualquer medida unilateral de elevação de tarifas será respondida com reciprocidade. Nesta quinta-feira, em entrevista à Record, ele reiterou esta intenção, mas disse que seu governo primeiro tentará negociar com os EUA.

“Não tenha dúvida que primeiro nós vamos tentar negociar, mas se não tiver negociação, a Lei da Reciprocidade será colocada em prática. Se ele vai cobrar 50% de nós, nós vamos cobrar 50% deles”, disse Lula na entrevista, de acordo com vídeo publicado na conta do presidente na rede social X.

Profissionais ouvidos pela Reuters ponderaram que, além das dúvidas sobre a cobrança de fato de tarifa de 50% a partir de 1º de agosto sobre os produtos brasileiros, o impacto sobre a atividade e a inflação no Brasil é pouco claro.

Um deles pontuou que a principal justificativa dada por Trump para a tarifação — o julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) — foi política, e não econômica, o que demonstra o quanto o cenário é nebuloso.

Após a máxima do início do dia, o dólar à vista marcou a cotação mínima de R$5,5247 (+0,38%) às 10h46, para depois encerrar pouco abaixo dos R$5,55, em uma sessão bastante volátil.

No exterior, o dólar também sustentava ganhos ante boa parte das demais divisas no fim da tarde. Às 17h11 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,23%, a 97,604.

Pela manhã, em sua operação diária de rolagem, o Banco Central vendeu toda a oferta de 35.000 contratos de swap cambial tradicional.

 

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