A transformação digital deixou de ser um assunto restrito às áreas de tecnologia. Hoje, inteligência artificial, proteção de dados, plataformas digitais e novas formas de comunicação interferem diretamente na maneira como relações profissionais, empresariais e sociais são construídas.
Para quem atua no Direito, acompanhar esse movimento é uma necessidade prática: novas ferramentas trazem oportunidades, mas também levantam dúvidas sobre responsabilidade, privacidade, transparência e segurança jurídica.
É nesse cenário que a Fenalaw 2026 ganha relevância como espaço de encontro entre profissionais, especialistas e temas que já fazem parte da rotina jurídica. Entre os dias 27 e 29 de outubro, a Revista dos Tribunais levará à Vila do Conhecimento uma programação de lançamentos que ajuda a compreender algumas das questões mais atuais do Direito.
As obras selecionadas percorrem assuntos diferentes, mas compartilham o mesmo ponto de partida: oferecer referências para lidar com transformações que não pertencem mais ao futuro. Elas já estão acontecendo!
Confira os lançamentos da Revista dos Tribunais na Fenalaw 2026
Tecnologia no mercado jurídico: da ferramenta à estratégia
Abrindo a programação de 27 de outubro, das 12h às 14h, O Valor da Tecnologia no Mercado Jurídico, coordenada por Maria Juliana do Prado Barbosa e Alexandre Zavaglia Coelho, aparece como obra oficial e propõe uma discussão especialmente oportuna.
A questão deixou de ser simplesmente saber quais tecnologias estão disponíveis. O desafio para escritórios e departamentos jurídicos é compreender onde elas realmente geram valor, como podem melhorar processos e de que forma devem ser incorporadas sem perder de vista qualidade, estratégia e responsabilidade profissional.
Essa reflexão importa porque inovar não significa adotar toda novidade que surge. No ambiente jurídico, decisões sobre tecnologia precisam considerar eficiência, confiabilidade, proteção das informações e, principalmente, o impacto sobre pessoas e processos. O ganho tecnológico só se sustenta quando vem acompanhado de critérios claros e de uma compreensão real das necessidades da organização.
Inteligência artificial e responsabilidade caminham juntas
Logo depois, das 14h às 15h, a discussão avança para IA e Responsabilidade Jurídica, obra coordenada por Márcio Cots e Ricardo Oliveira.
O livro, em edição de 2026, reúne análises sobre temas como responsabilidade civil, contratos, relações trabalhistas, privacidade, proteção de dados, propriedade intelectual, concorrência, comunicação e marketing. Também aborda questões fundamentais para uma adoção responsável da inteligência artificial, como viés, transparência, explicabilidade e governança corporativa.
São discussões que se tornam ainda mais importantes à medida que soluções automatizadas passam a participar de atividades antes exclusivamente humanas. Para o profissional do Direito, conhecer uma ferramenta já não basta. É preciso compreender seus limites, avaliar riscos e estabelecer mecanismos de revisão e governança. Em outras palavras, o uso da IA precisa estar acompanhado da capacidade de responder juridicamente pelas escolhas feitas com seu auxílio.
Crianças e adolescentes diante de um ambiente cada vez mais orientado por dados
Ainda em 27 de outubro, das 15h às 16h, Proteção de Dados e ECA Digital, coordenada por Ana Paula Canto de Lima, leva a conversa para um dos campos mais sensíveis da transformação digital: a proteção de crianças e adolescentes.
A obra de 2026 articula proteção de dados pessoais e direitos da infância e adolescência e aborda questões presentes no cotidiano digital, como influenciadores mirins, monetização da imagem, publicidade infantil, perfilamento, recomendação algorítmica, verificação de idade, inteligência artificial e governança.
A amplitude desses temas mostra por que a atualização jurídica é tão importante. Quando novas tecnologias alteram rapidamente a experiência de crianças e adolescentes na internet, interpretar normas a partir de situações concretas torna-se indispensável para empresas, advogados, responsáveis por compliance e profissionais que trabalham com produtos e serviços digitais.
Influenciadores digitais e relações que ultrapassam as redes sociais
No dia 28 de outubro, das 10h às 12h, chega a vez de Influenciadores Digitais e seus Desafios Jurídicos – Parte II, coordenado por Nadia Hackerott.
O crescimento da creator economy também ampliou a quantidade de relações jurídicas ligadas ao ambiente digital. Contratos, publicidade, uso de imagem, responsabilidade por conteúdo e relacionamento com marcas são apenas algumas das questões que exigem atenção.
Para quem trabalha nessa área, entender o fenômeno para além das redes sociais ajuda justamente a antecipar problemas. Bons contratos, definição de responsabilidades e conhecimento das particularidades do ambiente digital podem evitar conflitos e produzir relações profissionais mais seguras.
Inteligência artificial na advocacia: entre produtividade e responsabilidade
Fechando a programação de lançamentos apresentada para a Vila do Conhecimento, em 29 de outubro, das 10h às 12h, Solano de Camargo traz duas obras relacionadas diretamente à aplicação da inteligência artificial no trabalho jurídico: Inteligência Artificial na Advocacia e Engenharia de Prompts no Direito 2.0.
A primeira, em edição de 2026, examina usos concretos da IA na advocacia, incluindo pesquisa jurídica, redação de peças, organização do trabalho e tomada de decisões, ao mesmo tempo em que chama atenção para limites técnicos, jurídicos e profissionais. A segunda também é uma edição de 2026 e avança da engenharia de prompts para a chamada engenharia de contexto, com atenção à construção de sistemas jurídicos auditáveis, governança, verificação e controle de riscos.
Esse é um ponto essencial para a prática atual. Quanto mais a IA se integra ao trabalho jurídico, mais importante se torna aprender não apenas a obter boas respostas de uma ferramenta, mas também a conferir resultados, identificar limitações e compreender quem permanece responsável pelo trabalho realizado. Produtividade e segurança jurídica precisam caminhar lado a lado.
Atualização jurídica como parte da prática profissional
Entre os lançamentos, O Valor da Tecnologia no Mercado Jurídico, de Maria Juliana do Prado Barbosa e Alexandre Zavaglia Coelho, edição oficial da Fenalaw 2026, sintetiza bem uma questão que atravessa toda a programação: tecnologia só faz sentido quando seu valor pode ser compreendido dentro da realidade do Direito. Apresentada como obra oficial da programação informada para a Fenalaw 2026, a publicação oferece um ponto de partida particularmente útil para estudantes e profissionais que querem olhar para inovação com menos entusiasmo abstrato e mais senso crítico. Em vez de tratar a transformação tecnológica como um fim em si mesma, a leitura convida a refletir sobre sua aplicação no mercado jurídico, algo especialmente relevante para quem precisa tomar decisões sobre inovação sem abrir mão de qualidade, responsabilidade e segurança.
A presença da Revista dos Tribunais na Fenalaw 2026 reforça, assim, um compromisso que acompanha a evolução do próprio Direito: aproximar conhecimento jurídico consistente dos desafios que chegam à prática profissional. Para estudantes, advogados, gestores jurídicos e demais profissionais da área, acompanhar esses debates é uma forma de transformar atualização em repertório para decisões mais conscientes. Nos dias 27, 28 e 29 de outubro, a Vila do Conhecimento será uma oportunidade para conhecer essas novas obras, encontrar autores e especialistas e levar para a rotina referências capazes de tornar a atuação jurídica mais preparada para um cenário em permanente transformação.
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