As eleições brasileiras de 2026 acontecem em um cenário muito diferente daquele observado há apenas alguns anos. Se antes a disputa política era concentrada na televisão, rádio e eventos presenciais, hoje grande parte da comunicação eleitoral ocorre nas redes sociais, aplicativos de mensagens, plataformas de vídeo e mecanismos de busca.
A transformação digital ampliou o alcance das campanhas, democratizou a produção de conteúdo e aproximou candidatos dos eleitores. Ao mesmo tempo, trouxe desafios inéditos para a Justiça Eleitoral, especialmente diante do crescimento da inteligência artificial, da disseminação de desinformação, do uso de algoritmos de recomendação e da velocidade com que conteúdos podem alcançar milhões de pessoas.
Nesse contexto, compreender as regras da propaganda eleitoral digital tornou-se indispensável não apenas para candidatos e partidos, mas também para advogados, profissionais de marketing político, consultores eleitorais e plataformas digitais. Afinal, o descumprimento das normas pode resultar em multas, remoção de conteúdo, perda de tempo de campanha e até discussões mais complexas sobre abuso de poder e responsabilidade eleitoral.
Mais do que nunca, segurança jurídica e atualização profissional são elementos essenciais para uma atuação responsável no ambiente digital.
O crescimento da propaganda eleitoral nas plataformas online
A internet se consolidou como um dos principais espaços de disputa política no Brasil. Redes sociais, transmissões ao vivo, podcasts, vídeos curtos e aplicativos de mensagens passaram a integrar a estratégia eleitoral de praticamente todas as campanhas.
Essa mudança trouxe vantagens importantes. O custo de divulgação tornou-se mais acessível, o contato com o eleitor ficou mais direto e a comunicação passou a ser segmentada para públicos específicos.
Por outro lado, a mesma tecnologia que amplia o acesso à informação também pode potencializar riscos. Conteúdos falsos, montagens manipuladas, perfis automatizados e campanhas coordenadas de desinformação passaram a desafiar os mecanismos tradicionais de fiscalização eleitoral.
Por essa razão, as normas relacionadas à propaganda digital ganharam protagonismo nas eleições mais recentes e seguem em constante aperfeiçoamento para acompanhar a evolução tecnológica.
O impacto da inteligência artificial nas campanhas eleitorais
Um dos temas mais relevantes de 2026 é o uso da inteligência artificial na comunicação política.
Ferramentas capazes de gerar textos, imagens, áudios e vídeos em poucos segundos passaram a fazer parte da rotina de campanhas eleitorais. Embora esses recursos possam ser utilizados de forma legítima para otimizar estratégias de comunicação, eles também criam riscos significativos.
O principal deles está relacionado aos chamados deepfakes, conteúdos produzidos por inteligência artificial que simulam falas, imagens ou comportamentos de pessoas reais. Em períodos eleitorais, esse tipo de material pode ser utilizado para desinformar eleitores, manipular narrativas ou causar danos à reputação de candidatos.
Por isso, a Justiça Eleitoral tem direcionado atenção crescente à identificação de conteúdos manipulados e à responsabilização dos envolvidos em sua produção e divulgação.
Para partidos e candidatos, isso significa que o uso de ferramentas de IA exige governança, supervisão humana e mecanismos de controle capazes de garantir conformidade com a legislação eleitoral.
Transparência e impulsionamento: regras que continuam em evidência
Outro aspecto fundamental da propaganda eleitoral digital envolve o impulsionamento de conteúdo.
As campanhas utilizam cada vez mais anúncios patrocinados para ampliar alcance, segmentar públicos e potencializar mensagens estratégicas. Entretanto, essa prática precisa observar regras específicas relacionadas à identificação dos responsáveis pela contratação e à origem dos recursos empregados.
A transparência continua sendo um dos pilares do modelo eleitoral brasileiro. O objetivo é permitir que eleitores e órgãos de fiscalização compreendam quem financia determinada comunicação política e quais interesses estão por trás das mensagens divulgadas.
Na prática, isso exige atenção redobrada às prestações de contas, aos contratos de publicidade digital e à documentação das estratégias utilizadas durante a campanha.
Pequenos erros operacionais podem gerar questionamentos capazes de produzir impactos jurídicos relevantes, especialmente em disputas eleitorais acirradas.
Os riscos para candidatos e partidos
Entre os principais riscos jurídicos enfrentados por candidatos e partidos estão a divulgação de conteúdo irregular, o impulsionamento realizado em desacordo com as normas eleitorais, a propagação de notícias falsas e o uso inadequado de bancos de dados para fins de comunicação política.
Também merecem atenção situações envolvendo influencers, apoiadores digitais e terceiros que atuam informalmente na promoção de candidaturas. Muitas vezes, conteúdos aparentemente espontâneos podem gerar discussões sobre propaganda irregular ou financiamento não declarado.
Outro fator relevante é a velocidade com que informações circulam no ambiente digital. Uma publicação inadequada pode alcançar milhares de usuários antes mesmo de qualquer tentativa de correção.
Por esse motivo, campanhas modernas precisam investir não apenas em comunicação eficiente, mas também em monitoramento jurídico permanente. A prevenção costuma ser muito menos onerosa do que enfrentar litígios durante o período eleitoral.
O papel das plataformas digitais
As plataformas digitais passaram a ocupar posição central na regulação eleitoral contemporânea.
Empresas responsáveis por redes sociais, aplicativos de vídeo e mecanismos de busca vêm sendo constantemente chamadas a colaborar com autoridades eleitorais em questões relacionadas à remoção de conteúdos ilícitos, à identificação de publicidade política e ao combate à desinformação.
Esse cenário ampliou o debate sobre responsabilidade das plataformas. Até que ponto essas empresas devem atuar na moderação de conteúdo? Como equilibrar liberdade de expressão e proteção da integridade eleitoral? Quais critérios devem ser utilizados para remoções e bloqueios?
As respostas não são simples, mas a tendência observada é de aumento das exigências relacionadas à transparência, rastreabilidade e cooperação institucional.
Para as plataformas, isso significa adaptação contínua aos requisitos regulatórios. Para os operadores do Direito, representa um campo cada vez mais relevante de atuação profissional.
Por que a atualização jurídica se tornou indispensável
As eleições digitais não são regidas apenas pela legislação eleitoral tradicional. Questões relacionadas à proteção de dados, inteligência artificial, responsabilidade civil, liberdade de expressão e regulação das plataformas passaram a integrar o cotidiano das campanhas.
Como resultado, advogados eleitorais precisam desenvolver uma visão multidisciplinar capaz de conectar diferentes áreas do Direito.
A interpretação das normas também se tornou mais dinâmica. Resoluções da Justiça Eleitoral, decisões judiciais e novos entendimentos sobre tecnologias emergentes podem influenciar diretamente a estratégia de campanhas e a gestão de riscos.

Nesse contexto, acompanhar publicações especializadas e obras atualizadas é uma medida essencial para garantir segurança jurídica e qualidade técnica na atuação profissional.
Nesse sentido, uma contribuição especialmente relevante para estudantes e profissionais é a obra “Propaganda Eleitoral Digital” (1ª edição, 2026), de Diogo Rais, publicada pela Revista dos Tribunais e disponível na Livraria RT. O livro aborda de forma prática e atualizada os principais desafios das campanhas digitais, incluindo inteligência artificial, deepfakes, desinformação, impulsionamento de conteúdo, responsabilidade das plataformas e direito de resposta. Com estrutura voltada à consulta profissional, comentários especializados, resumos e orientações de aplicação imediata, a obra oferece ferramentas valiosas para quem busca compreender os riscos e oportunidades do ambiente eleitoral digital com segurança jurídica e visão estratégica.
Conclusão
As eleições de 2026 consolidam uma realidade que já vinha se desenhando nos últimos anos: as campanhas eleitorais são cada vez mais digitais, mais rápidas e mais dependentes de tecnologia. Ao lado das oportunidades surgem novos desafios regulatórios, especialmente em temas como inteligência artificial, desinformação, impulsionamento e responsabilidade das plataformas.
Para candidatos, partidos e profissionais que atuam no Direito Eleitoral, o grande diferencial não está apenas em conhecer as ferramentas digitais, mas em compreender os limites jurídicos que orientam sua utilização. Em um ambiente marcado por constantes transformações, a atualização permanente e o acesso a conteúdo técnico de qualidade tornam-se fatores decisivos para promover campanhas mais transparentes, seguras e alinhadas aos princípios democráticos. Nesse cenário, a tradição editorial da Revista dos Tribunais continua desempenhando papel fundamental ao oferecer análises aprofundadas sobre os temas que moldam o presente e o futuro do Direito Eleitoral.
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