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IA no Direito em 2025 e 2026: o que já mudou na advocacia e o que a regulamentação brasileira ainda precisa resolver

IA no Direito em 2025 e 2026: o que já mudou na advocacia e o que a regulamentação brasileira ainda precisa resolver

A IA no Direito: durante muito tempo, a inteligência artificial foi tratada como um tema futurista, restrito a debates acadêmicos ou a grandes empresas de tecnologia. No entanto, os anos de 2025 e 2026 consolidaram uma realidade diferente: a IA passou a fazer parte da rotina de profissionais do Direito, transformando a forma como advogados, magistrados, departamentos jurídicos e escritórios lidam com suas atividades diárias. 

Se antes a tecnologia era utilizada principalmente para pesquisa jurídica e gestão documental, hoje as ferramentas de inteligência artificial generativa conseguem elaborar minutas, resumir processos, identificar padrões jurisprudenciais, criar estratégias de pesquisa e até auxiliar na organização de teses jurídicas complexas. Essa evolução trouxe ganhos expressivos de produtividade, mas também acendeu discussões importantes sobre ética, responsabilidade, transparência e segurança jurídica. 

Diante desse cenário, compreender o que já mudou e quais desafios regulatórios ainda precisam ser enfrentados tornou-se uma necessidade para qualquer profissional que deseja atuar de forma atualizada e competitiva. 

IA no Direito: Como a advocacia está sendo transformada

A principal mudança provocada pela inteligência artificial está relacionada à otimização do tempo. Atividades repetitivas e operacionais, que antes consumiam horas de trabalho, passaram a ser executadas em poucos minutos. 

A elaboração de versões preliminares de contratos, petições e pareceres é um dos exemplos mais evidentes. Ferramentas baseadas em modelos de linguagem conseguem estruturar documentos jurídicos a partir de comandos específicos, permitindo que o profissional concentre seus esforços na análise estratégica e na revisão técnica. 

Na pesquisa jurídica, o impacto também é significativo. Em vez de realizar buscas extensas e fragmentadas, o advogado pode utilizar recursos capazes de localizar precedentes, resumir decisões e organizar informações de forma mais rápida. Isso não elimina a necessidade de conferência das fontes, mas reduz consideravelmente o tempo dedicado à etapa inicial da pesquisa. 

Além disso, departamentos jurídicos corporativos têm utilizado a IA para automatizar fluxos de trabalho, monitorar riscos regulatórios e analisar grandes volumes de contratos. O resultado é uma atuação mais eficiente, com maior capacidade de resposta às demandas do mercado. 

Nesse contexto, o diferencial competitivo já não está apenas no acesso à informação, mas na capacidade de utilizar a tecnologia de maneira estratégica e responsável. 

Os benefícios não eliminam os riscos

Apesar das vantagens, a adoção crescente da inteligência artificial também trouxe preocupações legítimas. 

Uma das mais conhecidas é a possibilidade de produção de informações incorretas ou imprecisas. Ferramentas generativas podem apresentar respostas aparentemente convincentes, mas juridicamente equivocadas. Casos de citações inexistentes, jurisprudência inventada e referências incorretas já demonstraram que a supervisão humana permanece indispensável. 

Outro desafio envolve a proteção de dados. Muitos profissionais passaram a utilizar plataformas de IA em atividades que lidam com informações sensíveis e sigilosas. Isso exige atenção especial à conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), especialmente em relação ao tratamento, armazenamento e compartilhamento de informações. 

Também surgem questionamentos sobre responsabilidade civil. Se uma decisão profissional for baseada em informações geradas por um sistema de IA e causar prejuízos, quem responderá pelos danos? O usuário? O desenvolvedor? O fornecedor da tecnologia? Essas questões ainda estão em processo de amadurecimento jurídico. 

Por essa razão, o avanço tecnológico precisa caminhar lado a lado com parâmetros regulatórios claros e coerentes. 

O estágio atual da regulamentação brasileira 

O Brasil vem discutindo a regulação da inteligência artificial há alguns anos, mas o ritmo acelerado de evolução tecnológica tem imposto desafios ao legislador. 

O objetivo central das propostas regulatórias é encontrar um equilíbrio entre inovação e proteção de direitos fundamentais. De um lado, existe o interesse em estimular o desenvolvimento tecnológico e a competitividade econômica. De outro, é necessário mitigar riscos relacionados a discriminação algorítmica, violação de privacidade, falta de transparência e decisões automatizadas potencialmente injustas. 

Entre os princípios mais debatidos estão a supervisão humana, a explicabilidade dos sistemas, a gestão de riscos e a responsabilização dos agentes envolvidos. A tendência observada internacionalmente aponta para modelos regulatórios baseados no grau de risco de cada aplicação de inteligência artificial. 

Para o universo jurídico, esse debate é particularmente relevante. Afinal, o Direito lida diretamente com patrimônio, liberdade, direitos fundamentais e acesso à Justiça. Qualquer utilização de IA nesse contexto exige critérios rigorosos de confiabilidade e governança. 

O que ainda precisa ser resolvido 

Embora o debate regulatório tenha avançado, algumas questões continuam demandando respostas mais objetivas. 

Uma delas diz respeito à transparência dos sistemas. Em muitos casos, os usuários não conseguem compreender integralmente como determinada resposta foi produzida, o que dificulta a verificação de eventuais falhas ou vieses. 

Também há a necessidade de estabelecer padrões mais claros sobre auditoria e validação de ferramentas utilizadas em ambientes jurídicos. Afinal, não basta que uma tecnologia seja eficiente; ela precisa demonstrar confiabilidade, rastreabilidade e aderência aos princípios jurídicos aplicáveis. 

Outro ponto importante envolve a capacitação dos profissionais. A regulamentação, por si só, não resolverá os desafios da inteligência artificial. É fundamental que advogados, magistrados, membros do Ministério Público e demais operadores do Direito desenvolvam competências para compreender limitações, riscos e potencialidades dessas ferramentas. 

Nesse sentido, a atualização profissional deixa de ser uma opção e passa a ser um requisito para uma atuação jurídica segura e alinhada às transformações do mercado. 

A importância de uma postura crítica e estratégica 

Um dos maiores equívocos sobre a inteligência artificial é acreditar que ela substituirá completamente o trabalho jurídico humano. Na prática, o que se observa é um fenômeno diferente: profissionais que sabem utilizar IA tendem a obter melhores resultados do que aqueles que ignoram a tecnologia. 

As ferramentas atuais são capazes de acelerar processos, organizar informações e ampliar a capacidade analítica, mas continuam dependentes da interpretação humana, da experiência profissional e do raciocínio jurídico crítico. 

O advogado continua sendo o responsável pela estratégia, pela argumentação, pela análise do contexto fático e pela tomada de decisões. A tecnologia funciona como um instrumento de apoio, não como substituta da expertise jurídica. 

Por isso, o foco deve estar no desenvolvimento de uma advocacia aumentada pela inteligência artificial, combinando eficiência tecnológica com responsabilidade profissional e segurança jurídica. 

Nos últimos anos, uma das obras que mais contribuíram para essa compreensão prática da tecnologia aplicada ao Direito foi Inteligência Artificial Generativa na Prática Jurídica” (2025), de Bernardo de Azevedo e Souza. A publicação apresenta uma abordagem acessível e atualizada sobre o uso da IA generativa na atividade jurídica, explorando desde técnicas de engenharia de prompts até a estruturação de fluxos de trabalho e o uso das principais plataformas disponíveis no mercado. Ao conectar conceitos teóricos a aplicações concretas, a obra se mostra especialmente relevante para estudantes, advogados, magistrados e servidores que buscam incorporar essas ferramentas de forma segura, eficiente e alinhada às exigências profissionais contemporâneas.  

IA no Direito em 2025 e 2026: o que já mudou na advocacia e o que a regulamentação brasileira ainda precisa resolver

Conclusão 

A inteligência artificial já é uma realidade consolidada no setor jurídico. Em 2025 e 2026, seus impactos deixaram de ser uma projeção para se tornarem parte da rotina da advocacia, dos tribunais e dos departamentos jurídicos. Ao mesmo tempo, o avanço tecnológico trouxe desafios regulatórios que ainda exigem amadurecimento legislativo e institucional. 

Mais do que acompanhar tendências, os profissionais do Direito precisam desenvolver conhecimento crítico para utilizar essas ferramentas com responsabilidade. Nesse processo, a atualização constante, a busca por fontes confiáveis e o acesso a conteúdo especializado tornam-se elementos fundamentais para promover inovação sem comprometer a segurança jurídica. É justamente nesse cenário que a tradição editorial e o compromisso da Revista dos Tribunais com a produção de conhecimento qualificado permanecem essenciais para apoiar a evolução da prática jurídica diante das transformações impulsionadas pela inteligência artificial. 

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