15 Set (Reuters) – O presidente-executivo da Meta , Mark Zuckerberg, afirmou na terça-feira que a concorrência e a responsabilidade civil dão às empresas de IA motivos suficientes para agirem individualmente em questões de segurança, parecendo se distanciar dos apelos feitos por líderes das principais empresas do setor por uma desaceleração coordenada no desenvolvimento da IA.
As declarações ressaltam uma divisão entre executivos do setor e autoridades americanas sobre como responder aos alertas de que a tecnologia está avançando mais rápido do que as empresas conseguem controlá-la, com alguns especialistas do setor alertando que ela representa uma ameaça existencial à humanidade.
Zuckerberg, em uma postagem no X na terça-feira, afirmou que cada laboratório tem a responsabilidade e o incentivo para avançar no ritmo necessário para treinar seus modelos com segurança, além da capacidade de tomar suas próprias medidas para garantir que isso aconteça.
Suas declarações foram feitas três dias depois que o presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, instou as empresas de IA a desacelerarem o ritmo de aprimoramento das capacidades dos modelos, na esteira de alertas sobre riscos existenciais emitidos por vários pesquisadores.
O chefe da rival OpenAI, Sam Altman, e Elon Musk, da xAI, endossaram publicamente o apelo de Amodei poucas horas depois.
REAÇÃO DO GOVERNO À REGULAMENTAÇÃO DA IA E À DESACELERAÇÃO
O presidente Donald Trump, no entanto, minimizou na segunda-feira as preocupações sobre o potencial de danos da IA, afirmando que os EUA já contam com medidas de proteção para a tecnologia e que a China se beneficiaria com a disseminação de dúvidas sobre o desenvolvimento da IA. A visão de que as regulamentações prejudicarão a capacidade das empresas americanas de competir com suas contrapartes chinesas é compartilhada por executivos do setor de tecnologia, incluindo Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia .
“Confiança e alinhamento estão se tornando rapidamente as capacidades mais importantes que diferenciarão agentes e modelos”, disse Zuckerberg na terça-feira. “Qualquer laboratório que não se concentre no alinhamento ficará para trás.”
Zuckerberg também disse na terça-feira que os laboratórios têm um forte incentivo para impedir que seus modelos causem danos, pois, caso contrário, enfrentariam responsabilidade “significativa”. Ele citou que a Meta adiou o lançamento de seu agente de IA Muse no início deste ano para reforçar sua segurança.
“Não pedimos que todos fizessem isso antes de nós. Simplesmente fizemos isso como parte do nosso trabalho diário, porque era claramente a coisa certa a se fazer pelas pessoas e por nós”, disse ele.
AVALIADORES INDEPENDENTES: “MELHORES PRÁTICAS DO SETOR”
Enquanto Amodei pediu uma desaceleração em todo o setor do autoaperfeiçoamento recursivo — a capacidade da IA de se aperfeiçoar —, Zuckerberg disse que a Meta já havia dedicado a “grande maioria” de sua capacidade computacional à criação de produtos que atendam às necessidades imediatas dos usuários, em vez de buscar sistemas de IA com autoaperfeiçoamento.
Zuckerberg também disse que a Meta Superintelligence Labs — sua divisão de IA — já conta com avaliadores independentes em várias áreas, chamando isso de “melhores práticas do setor” e afirmando que “outros laboratórios também podem simplesmente fazer o mesmo”.
A iniciativa de Zuckerberg de posicionar a Meta como um ator responsável em relação à segurança da IA ocorre semanas depois que a empresa concordou em pagar até US$18 bilhões para encerrar ações judiciais movidas por estados norte-americanos, que alegavam que ela havia projetado o Facebook e o Instagram para viciar crianças, sem admitir qualquer irregularidade.
(Reportagem de Chris Thomas na Cidade do México)
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