Por David Lawder
WASHINGTON, 24 Ago (Reuters) – O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos deve ampliar nesta segunda-feira o escopo das sanções secundárias que pode impor a entidades e países que mantêm laços comerciais com o Irã, à medida que o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, busca, nesta segunda-feira, aumentar a pressão econômica sobre Teerã, informou à Reuters uma fonte a par dos planos.
A medida visa dar um aviso final aos países para que rompam seus laços comerciais com o Irã, em um esforço para forçar o fim do conflito de quase seis meses que tem bloqueado o Estreito de Ormuz e as exportações de energia do Golfo Pérsico, disse a fonte, que falou sob condição de anonimato por não estar autorizada a se pronunciar publicamente sobre o assunto.
Espera-se que o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anuncie mais detalhes sobre as medidas contra o Irã em uma coletiva de imprensa às 14h (horário de Brasília). A fonte disse que Bessent também pretende apresentar uma visão geral mais ampla da campanha de pressão econômica contra o Irã — que ele e Trump descreveram como um “Dia D econômico” — e deixará claro aos países que eles devem se aliar aos EUA ou correrão o risco de ter empresas e entidades importantes excluídas do sistema financeiro baseado no dólar.
Na semana passada, Bessent classificou as medidas contra o Irã como as “sanções mais duras da história”, afirmando que, juntamente com o bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos, elas reduziriam a necessidade de novas operações militares “cinéticas” contra o Irã.
Os EUA mantêm sanções contra o Irã há décadas, a maioria das quais visa restringir as receitas do petróleo do país, o setor de aviação, as criptomoedas, a aquisição de componentes de armas e outros equipamentos militares, além de cortar o financiamento para empresas controladas pela Guarda Revolucionária Islâmica, uma força dominante na economia iraniana.
As sanções impedem que entidades designadas tenham acesso ao sistema financeiro baseado no dólar, mas o Irã tem conseguido criar rapidamente novas empresas de fachada, outras entidades e registros de embarcações para contornar as sanções.
A fonte familiarizada com os planos de Bessent afirmou que a medida provavelmente revelará categorias adicionais de condutas relacionadas ao Irã que estariam sujeitas a sanções secundárias no futuro, facilitando a tomada de medidas contra aqueles que facilitam as transações em nome do governo iraniano.
A fonte não especificou as atividades que poderiam estar sujeitas a sanções, mas afirmou que, para certos setores iranianos, qualquer atividade, mesmo em um país terceiro, poderia estar sujeita a sanções secundárias.
Atualmente, o Departamento do Tesouro dos EUA aprova licenças para transações em diversos setores no Irã, incluindo medicamentos e dispositivos médicos, intercâmbios culturais e artísticos e transações agrícolas.
Uma autoridade de alto escalão do governo disse que Bessent deve alertar que quaisquer canais financeiros remanescentes, inclusive por meio de bancos e países terceiros que tenham tolerado determinadas atividades, devem ser fechados.
A autoridade, que também falou sob condição de anonimato, disse que o Tesouro “mapeou a rede de contrabando de petróleo e evasão de sanções do Irã” e apresentará essas informações aos países que ajudam o Irã a contornar as sanções como um aviso.
IMPACTO NAS RELAÇÕES COM A CHINA
Nos últimos meses, o Departamento do Tesouro dos EUA sancionou refinarias chinesas independentes, conhecidas como “teapot”, por compras de petróleo iraniano e ampliou suas medidas contra a frota paralela de petroleiros que transportam petróleo iraniano.
Uma ferramenta muito mais poderosa é a autoridade para sancionar bancos na China e em outros países que estejam facilitando transações com o Irã, uma medida que o governo Trump até agora não se dispôs a tomar em meio a uma delicada trégua comercial com Pequim.
Com Trump e o presidente da China, Xi Jinping, com uma reunião marcada em Washington no final de setembro, novas sanções contra bancos chineses poderiam prejudicar as perspectivas de prorrogação de um acordo firmado em novembro passado para manter o fluxo de terras raras chinesas e limitar as tarifas comerciais impostas pelos EUA.
O bloqueio dos EUA aos portos iranianos já reduziu as ofertas chinesas de compra de petróleo bruto iraniano, informou a Reuters na sexta-feira, o que pode diminuir o impacto das sanções secundárias sobre a China.
(Reportagem de David Lawder)
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