thomson reuters

BLOG | REVISTA DOS TRIBUNAIS

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Produção industrial no Brasil recua pelo 2º mês em fevereiro e frustra expectativas

imagem aérea de rodos com carros e prédios

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) – A indústria no Brasil frustrou as expectativas e registrou retração de 0,3% em fevereiro, marcando o segundo mês seguido no vermelho e acendendo sinal de alerta.

Nos dois primeiros meses do ano o setor acumula perdas de 1,8%, o que elimina parte do saldo positivo de 2,7% visto de agosto a dezembro, informou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A indústria ainda está 1,1% abaixo do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020, e 17,7% abaixo do nível recorde da série, alcançado em maio de 2011.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção teve avanço de 5,0%, sétima leitura positiva seguida.

Os resultados foram bem piores do que as expectativas levantadas em pesquisa da Reuters com economistas, de alta de 0,3% na base mensal e de 5,6% na anual.

“Essas duas quedas ligam o sinal de alerta para a indústria. Há uma perda de ritmo de produção, mas com a peculiaridade de que são duas quedas mais concentradas (em poucos ramos)”, destacou André Macedo, gerente da pesquisa no IBGE.

“A melhora da conjuntura e do mercado doméstico ainda não foi suficiente para manter a indústria em um nível positivo”, completou.

Analistas consideram que a indústria deve crescer neste ano, ainda que a passos lentos, com retomada gradual principalmente em segmentos dependentes das condições de crédito, favorecida pela queda dos juros.

O Banco Central decidiu no mês passado fazer nova redução de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, a 10,75% ao ano, mas encurtou sua indicação sobre cortes futuros ao citar uma ampliação de incertezas, afirmando que sua diretoria antevê corte na mesma intensidade apenas na próxima reunião, em maio.

“Nossa perspectiva é de uma indústria relativamente positiva neste ano. Entre os fatores que colocam um viés altista estão: recuperação do setor manufatureiro global, balança comercial robusta … e políticas de estímulos à atividade econômica por parte do governo”, disse Igor Cadilhac é economista do PicPay.

O IBGE destacou que, em fevereiro, 10 dos 25 ramos industriais pesquisados mostraram redução na produção em relação ao mês anterior.

As principais influências negativas foram exercidas por produtos químicos (-3,5%), indústrias extrativas (-0,9%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-6,0%).

“Se no ano passado a indústria extrativa teve um papel central para o crescimento do setor no geral, para este ano, a tendência é que haja uma retomada de outros segmentos, … muito em função da queda da Selic e das melhores condições de crédito”, avaliou Rafael Perez, economista da Suno Research.

Na outra ponta, veículos automotores, reboques e carrocerias (6,5%) e celulose, papel e produtos de papel (5,8%) apresentaram aumento na produção em fevereiro.

“As questões conjunturais estão presentes, como queda dos juros, redução da inadimplência, melhora no mercado de trabalho, e isso tudo aparece em veículos automotivos, que dependem muito de crédito e juros”, disse Macedo.

Entre as categorias econômicas, somente Bens Intermediários apresentaram queda, de 1,2%. A fabricação de Bens de Capital aumentou 1,8% no mês e a de Bens de Consumo cresceu 1,3%.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas

Post Relacionado

Ibovespa abre em queda com tensões geopolíticas e tarifas no radar

SÃO PAULO, 3 Jun (Reuters) – O Ibovespa operava em queda nos primeiros negócios desta quarta-feira, embalado pela cautela vinda do exterior após novas hostilidades no Golfo Pérsico envolvendo os Estados Unidos e o Irã, ao mesmo tempo em que os agentes também monitoram os desdobramentos das novas medidas tarifárias

Lula diz que decidiu ir à reunião do G7 na França este mês

BRASÍLIA, 3 Jun (Reuters) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que mudou de ideia e decidiu que irá participar da reunião do grupo das sete maiores economias do mundo, o G7, na França, no dia 15 deste mês. Em discurso ao abrir reunião ministerial no