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Pix deve abocanhar metade do e-commerce em 2028 após inédita liderança sobre cartões de crédito em 2025

Pessoa paga por Pix com o celular em loja no Rio de Janeiro

Por Marcela Ayres

BRASILIA, 10 Fev (Reuters) – O sistema de pagamentos instantâneos Pix está prestes a ampliar a recém-conquistada liderança sobre os cartões de crédito no e-commerce e responder por metade das transações nesse mercado até 2028, afirmou a fintech de pagamentos Ebanx em um novo estudo.

A projeção destaca a rápida ascensão do sistema criado pelo Banco Central. Desde seu lançamento no fim de 2020, o Pix reduziu de forma acentuada o uso de dinheiro em espécie no país, tendo desde 2023 superado o número combinado de operações feitas com cartões de crédito e débito.

No ano passado, ele também entrou na mira dos Estados Unidos em uma investigação sobre práticas comerciais potencialmente desleais, com Washington questionando o papel duplo do BC como operador do Pix e regulador do sistema financeiro.

A onipresença do meio de pagamento tem pressionado a participação das transações com cartões, segmento em que as empresas norte-americanas Mastercard e Visa seguem dominantes.

Por muito tempo um reduto inconteste dos cartões de crédito, o mercado brasileiro de e-commerce viu o Pix responder por 42% das compras online no ano passado, superando por pequena margem os cartões de crédito, que ficaram com 41%, segundo o Ebanx.

Com base em dados da Payments and Commerce Market Intelligence (PCMI), o Ebanx projeta que a participação do Pix nas compras online chegue a 45% até o fim deste ano e atinja 50% em 2028, quando a vantagem sobre os cartões de crédito deve se ampliar para 14 pontos percentuais.

Eduardo de Abreu, líder global de produto do Ebanx, disse que o lançamento da funcionalidade de pagamentos recorrentes com Pix no ano passado, o chamado Pix Automático, ajudou o meio de pagamento a avançar ainda mais sobre os cartões, além da evolução natural da sua curva de adoção no pagamento a empresas após o sistema ter inicialmente ganhado tração com as transferências entre indivíduos.

Dados do Banco Central mostram que os pagamentos de pessoa para empresa (P2B) são, desde setembro, a maior categoria em volume das transações com Pix. Em janeiro, eles responderam por 46% do total, ante 40% das transferências entre pessoas (P2P).

“Houve muito desse ganho de confiança por parte da população com o Pix, combinado com o aumento da disponibilidade nos sites”, disse Abreu.

Ele ponderou, contudo, que os cartões de crédito continuarão com um público cativo até pelo hábito profundamente enraizado na cultura brasileira de parcelar as compras com esse meio de pagamento, especialmente as de ticket mais alto, ainda que no pagamento à vista possa ser ofertado desconto no Pix.

“Desconto é bom e ele matematicamente faz sentido para o usuário. Mas a pessoa vê e fala: ‘mesmo com desconto eu não consigo pagar este mês. Se eu fizer isso, fico completamente descapitalizado, mesmo sendo mais barato.’ Então, o parcelado vem cada vez mais para conseguir tocar essa parte da população que precisa mesmo do fluxo de caixa”, afirmou Abreu.

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