Por John Irish
PARIS, 9 Out (Reuters) – O vice-presidente palestino Hussein Al Sheikh informou à França que as eleições legislativas palestinas previstas para 28 de novembro serão adiadas, possivelmente até setembro de 2027, devido ao agravamento das condições em todos os territórios palestinos, de acordo com uma carta à qual a Reuters teve acesso.
“A avaliação concluiu que as condições políticas, de segurança e econômicas previstas, nas quais se baseava o agendamento das eleições legislativas para 28 de novembro de 2026, não se concretizaram”, diz a carta, endereçada ao ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, e datada de 8 de outubro.
Acrescenta que “a realização das eleições nas circunstâncias atuais enfrenta obstáculos fundamentais que afetam sua inclusão, a liberdade de participação e a integridade do processo eleitoral”.
Já havia sérias dúvidas de que a votação da Autoridade Palestina ocorresse no final de novembro. Os palestinos não realizam eleições legislativas ou presidenciais desde 2005-2006, período após o qual o rival do presidente palestino Mahmoud Abbas, o grupo islâmico Hamas, assumiu o controle de Gaza, destituindo seus partidários.
Algumas autoridades do partido Fatah, de Abbas, pediram um diálogo com o Hamas e outras facções para chegar a um acordo sobre uma visão nacional comum antes de prosseguir com a votação. Outros citaram obstáculos à entrada de urnas, material eleitoral e tinta em Gaza, o que, segundo eles, tornaria a votação impossível.
AUTORIDADES PALESTINOS ESPERAVAM AÇÃO DOS EUA
A carta afirma que as autoridades palestinas esperavam que as condições melhorassem por meio da implementação da iniciativa de paz do presidente dos EUA, Donald Trump, e de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, incluindo o envio de forças internacionais e da polícia palestina para Gaza, o desarmamento do Hamas e a retirada das tropas israelenses.
O documento menciona também que os palestinos aguardavam esforços dos EUA para impedir novas anexações de territórios palestinos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, conter a violência dos colonos e garantir a liberação de quase US$7 bilhões em fundos palestinos retidos por Israel.
“No entanto, essas medidas, acordos e promessas não se concretizaram. Pelo contrário, as condições se agravaram em todo o território palestino”, diz a carta, descrevendo em detalhes as questões de segurança em Gaza e na Cisjordânia.
Com base em sua avaliação, as autoridades palestinas recomendaram a Abbas “que a data das eleições legislativas fosse adiada por vários meses e que o diálogo continuasse para preparar as condições internas”, segundo a carta.
Acrescentou que Abbas havia sido aconselhado a emitir um decreto ajustando a data da realização das eleições para a primeira quinzena de setembro de 2027.
Abbas, eleito presidente da Autoridade Palestina em 2005, havia reafirmado os planos de realizar as eleições durante um discurso na Organização das Nações Unidas em 24 de setembro.
(Reportagem adicional de Ali Sawafta, em Ramallah, e Nidal al-Mughrabi, no Cairo)
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