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Lula visita Trump em Washington em busca de evitar novas tarifas comerciais dos EUA

Lula

Por Lisandra Paraguassu e David Lawder

WASHINGTON, 7 Mai (Reuters) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará a Casa Branca nesta quinta-feira com o objetivo de reavivar o que o presidente dos EUA, Donald Trump, chamou no ano passado de “excelente química” entre os dois líderes, esperando evitar novas tarifas e demonstrar disposição para negociar acordos sobre minerais críticos e crime organizado, disseram à Reuters três pessoas do governo brasileiro.

“Não sabemos se a visita vai ajudar”, disse à Reuters uma autoridade brasileira envolvida na organização do encontro. “Mas tem mais chance do que se não fizermos nada.”

No ano passado, Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, entre as mais altas taxas aplicadas sobre exportações de outros países, acusando o Brasil de promover uma perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que posteriormente foi condenado por tentativa de golpe de Estado.

Posteriormente, Trump retirou a maior parte das tarifas, incluindo as sobre a carne bovina e o café, pelo menos em parte para ajudar a conter a alta dos preços dos alimentos nos EUA. Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas que ele havia imposto sob uma lei de emergência nacional, eliminando muitas das tarifas restantes.

Os produtos brasileiros ainda estão sujeitos a uma tarifa adicional de 10%, que expira em julho. No entanto, nas últimas semanas, o Brasil tem observado indícios de que suas exportações podem ser atingidas por novas tarifas relacionadas a uma investigação da Seção 301 sobre práticas comerciais desleais.

Também persistem as tensões em relação ao comércio digital — uma vez que o Brasil bloqueou a renovação, apoiada pelos EUA, da moratória tarifária sobre o comércio eletrônico da Organização Mundial do Comércio (OMC) — e às altas tarifas brasileiras sobre alguns produtos, incluindo o etanol.

No mês passado, o Escritório do Representante Comercial dos EUA também alegou que quase metade das exportações de madeira do Brasil provém de fontes ilegais – o que o governo Lula nega, argumentando que reduziu as taxas de desmatamento a níveis historicamente baixos.

Autoridades brasileiras manifestaram preocupação com a possibilidade de uma nova onda de tarifas durante uma reunião realizada há duas semanas com representantes do Departamento de Comércio dos EUA. Segundo pessoas presentes nas negociações, os representantes norte-americanos fizeram poucas perguntas, reforçando a percepção de que a investigação visava justificar tarifas em vez de resolver questões comerciais.

“O que eles estão fazendo é criar uma base, ainda que falsa, para justificar uma posterior adoção de tarifas”, disse uma segunda autoridade brasileira.

MINERAIS CRÍTICOS E CRIME ORGANIZADO

O degelo nas relações entre Lula e Trump começou em setembro passado na Assembleia Geral da ONU, quando Trump fez o comentário sobre “química”, reconhecendo em parte as vastas reservas de minerais críticos do Brasil, disse Monica de Bolle, economista brasileira e pesquisadora sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional.

O desejo do governo Trump de construir uma cadeia de suprimentos de terras raras necessárias para a fabricação de alta tecnologia provavelmente manterá a reunião de Lula e Trump em ordem, disse ela.

“Por parte dos EUA, eles estão buscando algum tipo de acordo – seja lá o que for – sobre minerais críticos e terras raras com o Brasil”, disse De Bolle. “Os EUA realmente precisam de algo de Lula.”

O governo Lula não espera que um acordo sobre minerais críticos se concretize, disseram à Reuters pessoas próximas ao presidente, porque as autoridades ainda encontram dificuldades para chegar a um consenso até mesmo sobre um memorando de entendimento básico.

Existem também tensões em relação aos esforços da Casa Branca para designar grupos criminosos da América Latina como terroristas.

O governo Lula está tentando evitar tal medida em relação ao PCC e Comando Vermelho, pois isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou para sanções contra bancos que, sem saber, fazem negócios com membros desses grupos criminosos.

Tal decisão poderia ter “reflexos na economia brasileira, no setor produtivo e no sistema financeiro”, disse o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, à Reuters em março.

Em vez disso, Lula proporá maior cooperação no combate ao crime organizado, à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas.

“Não acredito que vai ser possível assinar qualquer coisa porque mandamos a contra-proposta há pouco tempo, e não creio que eles tenham tido tempo de processar”, disse uma autoridade que trabalhou na elaboração do documento.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu e David Lawder em Washington; reportagem adicional de Ricardo Brito, em Brasília)

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