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Indústria no Brasil marca 10º mês seguido de retração em fevereiro, mostra PMI

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 2 Mar (Reuters) – O setor industrial brasileiro registrou retração em fevereiro pelo 10º mês seguido, ainda que em um ritmo ligeiramente mais fraco, mas com a menor entrada de novos negócios em cinco meses, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras nesta segunda-feira.

O PMI, compilado pela S&P Global, avançou a 47,3 em fevereiro, de 47,0 em janeiro, mas permanecendo abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração registrada desde maio de 2025, mostrando uma sólida deterioração do setor.

O segmento de bens de capital teve o pior desempenho no mês, e os produtores de bens intermediários apontaram forte deterioração. No entanto, as condições operacionais se estabilizaram entre os fabricantes de bens de consumo.

O levantamento mostra que as empresas reduziram a produção em fevereiro em meio à redução da demanda, com a queda na entrada de novos negócios no ritmo mais forte desde setembro.

As empresas citaram condições desfavoráveis de demanda, desafios no setor automotivo, a concorrência e as taxas de juros elevadas como os principais fatores que pesaram sobre as vendas.

As encomendas internacionais continuaram em trajetória de queda, recuando pelo 11º mês consecutivo. Os participantes da pesquisa relataram especialmente vendas menores para a Argentina, Europa e Estados Unidos.

Ainda assim houve um aumento marginal no emprego em fevereiro, quando equipes reduzidas levaram alguns produtores a anunciar novas vagas, em meio à expectativa de aprovação de contratos pendentes e de que a Copa do Mundo este ano dará impulso à demanda.

A Copa do Mundo, em junho e julho, foi um dos fatores que fez com que o otimismo no setor permanecesse positivo, sendo citados ainda publicidade, investimentos planejados e lançamentos de novos produtos. Mas ainda assim o nível de confiança recuou para o menor nível em dez meses, diante da preocupação com a concorrência e políticas públicas.

Em relação às pressões inflacionárias, tanto os custos de insumo quanto os preços de produção avançaram. As empresas relataram o aumento mais rápido das despesas operacionais em sete meses, com tensões geopolíticas, especulação no mercado acionário e taxas de câmbio desfavoráveis pesando sobre os preços de componentes eletrônicos, alimentos, metais e plásticos.

Os preços cobrados pelos produtos brasileiros também subiram no ritmo mais intenso desde julho de 2025, com repasse dos custos aos clientes.

 

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