28 Out (Reuters) – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quarta-feira em uma carta pública que deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos porque estaria sendo alvo de uma perseguição política e que seria o líder legítimo do país, alegando, sem apresentar provas, que teria sido vítima de uma fraude eleitoral.
Em uma primeira versão da carta, Flávio se autodeclarava o “legítimo presidente eleito” do Brasil, mas essa versão depois foi atualizada por uma nova em que se descreve como “o líder do Brasil”.
Flávio foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo por uma diferença de 4,4 milhões de votos, em resultado que foi atestado como regular pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O principal questionamento que Flávio levanta envolve a prorrogação por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em duas horas do horário de votação no domingo. No entanto, a prorrogação não teve qualquer impacto no resultado final das eleições, uma vez que apenas 35 mil pessoas — 0,03% do total — votaram no horário estendido.
Em sua manifestação de três páginas, que foi distribuída por diversos aliados do senador e publicada nas redes sociais, Flávio Bolsonaro afirmou que vai liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos.
“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece”, disse, acrescentando que considera ser vítima de “uma caça às bruxas politicamente motivada”.
O próprio partido de Flávio Bolsonaro, o PL, já reconheceu a derrota eleitoral para Lula no segundo turno, assim como o seu candidato a vice, o deputado federal Alfredo Gaspar, e diversos aliados do candidato derrotado.
Procurado, o Palácio do Planalto não respondeu de imediato a pedido de comentário sobre a carta de Bolsonaro. O STF disse que não iria comentar a carta.
O TSE, por sua vez, afirmou que “todos os questionamentos feitos dentro do devido processo legal serão analisados e respondidos”. Mas ressaltou que, mesmo com a extensão da votação, “foi possível avançar com a apuração e entregar um pleito com segurança”.
“Com empenho de servidores públicos de todo o país, dos mesários, das forças de segurança e dos demais atores envolvidos, as eleições 2026 transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”, afirmou o tribunal em nota.
Na manifestação, Flávio Bolsonaro agradece aos presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos EUA, Donald Trump. Os líderes desses dois países ainda não reconheceram a vitória de Lula no pleito.
Mesmo com uma ordem do STF para não deixar o Brasil e entregar seus passaportes após perder a eleição, o senador deixou o Brasil passando pela Argentina rumo aos Estados Unidos, onde chegou na manhã desta quarta com sua esposa e suas duas filhas menores de idade.
A operação de fuga de Flávio do Brasil e chegada ao território norte-americano, passando pela Argentina e o Equador, ocorreu por uma ação de despiste e repasse de informações falsas de aliados diretos de Flávio Bolsonaro.
Em sua conta no X, o presidente e fundador do Eurasia Group, Ian Bremmer, lembrou que Lula foi reconhecido vencedor por todos os principais líderes da América Latina, tanto de direita quanto de esquerda, com exceção de Milei, e, mesmo assim, Flávio Bolsonaro declara-se “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
“Um circo. Uma vergonha para o país”, disse.
(Reportagem de Luciana Magalhaes, em São PauloReportagem adicional de Ricardo Brito e Maria Carolina Marcello, em BrasíliaEdição de Pedro Fonseca)



