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Flávio Bolsonaro chega aos EUA com a família após descumprir ordem para ficar no Brasil

Flávio Bolsonaro chega aos EUA com a família após descumprir ordem para ficar no Brasil

MIAMI, 28 Out (Reuters) – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família chegaram a Miami nesta quarta-feira, onde o governo dos Estados Unidos lhes concederá vistos de entrada, após ele descumprir decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes e permanecer no Brasil, tomadas no âmbito de um inquérito em que o parlamentar é investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Flávio, que perdeu a eleição presidencial de domingo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deixou o Brasil em sigilo após a decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, após afirmar em vídeo publicado em sua conta no Instagram que não tinha intenção de deixar o país e entregaria os passaportes, e que organizaria a oposição ao governo Lula.

“Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, disse o senador no vídeo.

Imagens da Reuters TV mostraram Flávio Bolsonaro, sua esposa e duas filhas desembarcando do avião Gulfstream G400 no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka.

A viagem deles para os Estados Unidos chamou a atenção em toda a região. Eles entraram no norte da Argentina na noite de terça-feira, segundo o departamento de imigração do país, e depois pegaram um jato particular para a cidade equatoriana de Guayaquil. De lá, voaram para Miami.

Nem a Presidência da Argentina, nem ministérios equatorianos, nem a Baires Fly, operadora do jato particular, responderam aos pedidos de comentários.

PASSAPORTE CANCELADO

Registros do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras norte-americano mostram que Flávio entrou nos EUA nesta quarta usando passaporte diplomático cancelado pela Polícia Federal brasileira no dia anterior.

Ele havia descumprido prazo para entrega de seus passaportes determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o que gerou o cancelamento.

Uma fonte da PF disse que na terça-feira foram lançados em sistemas internacionais de migração o cancelamento dos dois passaportes de Flávio – o diplomático e o comum.

Segundo essa pessoa, a situação do senador é agravada na investigação porque ele sabia que tinha medidas restritivas impostas a ele: devolver os passaportes, não deixar o Brasil e não falar com o advogado e amigo dele, Willer Tomaz, que está nos Estados Unidos. A fonte ressaltou que até o momento duas das três medidas cautelares foram descumpridas pelo candidato presidencial derrotado.

Essa fonte disse que a PF ainda avalia se vai tomar novas medidas contra o senador no caso. Uma das possibilidades seria pedir a prisão preventiva de Flávio, que já era citada pela PF como um dos caminhos caso as medidas cautelares não surtissem efeito.

NOVA RUPTURA ENTRE BRASIL E EUA

A saída de Flávio Bolsonaro ameaça aprofundar uma ruptura entre Brasil e Estados Unidos.

Lula acusou Washington de conluio com a família Bolsonaro para ajudá-la a retornar ao poder. Antes da eleição de domingo, a Reuters noticiou uma campanha do Departamento de Estado dos EUA para recolocar os Bolsonaros no poder.

Trump disse a repórteres nesta quarta-feira que aprovaria a ida de Flávio aos Estados Unidos, depois que seu Departamento de Estado afirmou que concederia vistos de entrada à família.

Trump já havia alegado anteriormente que o pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi vítima de perseguição judicial no Brasil.

Jair Bolsonaro também viajou para os Estados Unidos após se recusar a reconhecer a derrota para Lula em 2022, durante a Presidência de Joe Biden. Ele acabou voltando, e mais tarde foi condenado a 27 anos de prisão por planejar um golpe de Estado.

Flávio, que era o favorito para vencer a eleição presidencial de domingo após liderar o primeiro turno, perderá sua imunidade parlamentar quando seu mandato no Senado terminar em fevereiro.

(Reportagem de Gabriel Stargardter; Reportagem Adicional de Alexandra Valencia, em Quito; Bernardo Caram e Ricardo Brito, em Brasília, Gabriel Araujo, em São Paulo; Maximilian Heath, em Buenos Aires, e Eva Marie Uzcategui, em Miami)

 

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