Por Mike Stone
WASHINGTON, 26 Out (Reuters) – Candidatos políticos dos EUA vêm elaborando suas mensagens de campanha para atrair os chatbots de IA que cada vez mais eleitores têm usado para esclarecer dúvidas sobre questões políticas, e documentos analisados pela Reuters revelaram algumas dessas estratégias.
Uma apresentação em PowerPoint propôs uma estratégia para Mike Minogue, candidato republicano que disputa o cargo de governador de Massachusetts contra Maura Healey. O objetivo era convencer ChatGPT, Claude, Gemini e outros chatbots a apresentá-lo como a escolha preferida em questões-chave, indo muito além da otimização tradicional para mecanismos de busca que os candidatos vêm utilizando há anos.
À medida que a IA se torna cada vez mais uma fonte de notícias, as campanhas políticas precisam envidar maiores esforços para controlar o que ela produz e tornar-se sua recomendação quando os eleitores fazem perguntas como: quem é o melhor em questões como impostos, moradia e segurança pública. Alguns especialistas se preocupam com a verificação de fatos e a desinformação nas campanhas que utilizam IA.
Os custos podem variar de centenas de dólares por mês para pequenos trabalhos de monitoramento de IA a dezenas de milhares por mês, caso sejam incluídos serviços de consultoria e compra de espaço na mídia.
A apresentação propôs que a campanha de Minogue criasse centenas de páginas de políticas e citações otimizadas para IA nos sites frequentemente citados por chatbots de IA. Citou maneiras de acompanhar como os principais chatbots respondem a perguntas políticas e alterar sistematicamente o conteúdo até que as respostas reflitam a plataforma do candidato.
No centro da proposta estava a ideia de que, além de persuadir diretamente os eleitores, as campanhas podem, cada vez mais, moldar o ambiente de informação ao alimentar a internet e os assistentes de IA com dados que influenciam a forma como os candidatos são descritos, comparados e recomendados.
“Campanhas que utilizam treinamento de influência por IA são agora uma realidade com a qual nos deparamos e serão onipresentes até o ciclo eleitoral de 2028”, que incluirá uma eleição presidencial, disse Joe Bonilla, sócio-gerente da Relentless Awareness. A empresa de estratégia criativa sediada em Nova York já trabalhou com empresas e candidatos políticos nos níveis federal, estadual e local.
“O público está cada vez menos capaz de distinguir — e não será capaz de discernir — o que é criado por sistemas como o Claude e o ChatGPT do que é conteúdo de origem humana”, disse Bonilla.
A apresentação em PowerPoint preparada para a campanha de Minogue e vista pela Reuters descreve a otimização de mecanismos generativos, ou GEO, a sucessora da otimização de mecanismos de busca (SEO) na era da IA. Ela afirma que a empresa compraria espaços publicitários em sites de alta autoridade que os modelos de IA já citam. Também produziria conteúdo para o YouTube e o Reddit e publicaria páginas temáticas criadas para serem captadas por chatbots.
“Quando a campanha estiver pronta, veicularemos anúncios pagos em sites de alta autoridade de domínio que os LLMs (grandes modelos de linguagem) já citam — além do Reddit, que tem peso desproporcional na recuperação de resultados”, diz a apresentação.
ELETORES PERGUNTAM A CHATBOTS
Com o aumento das informações eleitorais online, cerca de 25% dos eleitores qualificados consultaram um chatbot sobre um candidato político ao decidir em quem votar, segundo Cameron Hickey, presidente-executivo da National Conference on Citizenship.
“Se você não divulgar as informações corretas, quem sabe o que os mecanismos de IA vão pegar”, disse Thomas Howell, presidente-executivo da Visigent, empresa sediada em Austin, Texas, que elaborou o documento estratégico para Minogue. A Visigent tem seis campanhas políticas entre seus clientes, mas Howell não quis identificar seus clientes.
A campanha de Minogue não respondeu às ligações e emails solicitando comentários.
As campanhas agora precisam competir para se tornarem “a recomendação dentro da resposta da IA”, de acordo com a apresentação preparada para Minogue.
“Estamos apenas no início dessa nova era”, afirmou Meg Schwenzfeier, da Caucus AI, que acompanha o uso da IA pelos eleitores. “Este ano, o foco tem sido os candidatos garantirem que seus próprios sites apareçam nos resultados dos chatbots”, disse. Mas ela alertou: “Os chatbots falam com muita autoridade e podem consumir grandes quantidades de informações não verificadas; por isso, precisamos nos proteger contra a desinformação.”
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