BRASÍLIA/SÃO PAULO, 2 Out (Reuters) – A representação diplomática dos Estados Unidos no Brasil anunciou a suspensão dos serviços consulares no país a partir desta sexta-feira citando preocupações não especificadas com a segurança, enquanto os funcionários da embaixada norte-americana em Brasília foram orientados a trabalhar de casa nesta sexta-feira devido a uma ameaça, disse à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto.
A embaixada anunciou em comunicado na quinta-feira a suspensão da prestação dos serviços consulares e orientou cidadãos norte-americanos a não procurarem a embaixada ou os consulados do país no Brasil.
“Os serviços consulares da embaixada e dos consulados dos Estados Unidos no Brasil serão suspensos a partir de sexta-feira, 2 de outubro, devido a preocupações com a segurança. Cidadãos norte-americanos que necessitem de assistência emergencial durante esse período não devem se dirigir à embaixada, aos consulados ou a outras instalações diplomáticas dos Estados Unidos. Caso precise de assistência de emergência, entre em contato com o oficial de plantão responsável”, disse a embaixada em nota publicada em seu site.
Além disso, uma fonte com conhecimento do assunto confirmou à Reuters notícias publicadas na imprensa de que os funcionários da embaixada dos EUA em Brasília foram orientados a trabalharem de casa nesta sexta-feira devido a uma ameaça recebida pela embaixada. A fonte não deu detalhes sobre a ameaça.
Procurado, o Departamento de Estado dos EUA informou por meio de uma porta-voz que “a Administração (do presidente dos EUA Donald) Trump tem máxima prioridade à segurança e à proteção dos cidadãos americanos. As Embaixadas e Consulados dos Estados Unidos no exterior utilizam regularmente o sistema de mensagens STEP, incluindo alertas, para informar os cidadãos americanos sobre ameaças, eventos e mudanças relevantes no contexto local. Estamos trabalhando em estreita cooperação com nossas contrapartes brasileiras para tratar de questões de segurança”.
As preocupações de segurança envolvendo a representação diplomática dos EUA no Brasil acontecem a dois dias das eleições gerais no domingo e em meio a temores de tentativa de interferência norte-americana no pleito. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, já alertou Trump publicamente mais de uma vez para que Washington não busque interferir no processo eleitoral brasileiro.
Principal adversário de Lula, o senador Flávio Bolsonaro (PL), admirador declarado de Trump, esteve recentemente nos EUA quando se encontrou com o presidente norte-americano. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, seu irmão, está morando nos Estados Unidos e tem feito campanha junto a autoridades norte-americanas pela imposição de sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em particular ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo em que o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio e Eduardo, foi condenado por tentativa de golpe de Estado.
(Reportagem de Lisandra Paraguassu, em Brasília, e Eduardo Simões, em São PauloEdição de Tatiana Ramil)



