Por Marianna Parraga e Jarrett Renshaw
HOUSTON/WASHINGTON, 27 Ago (Reuters) –
Autoridades do governo Trump estão trabalhando em um acordo para garantir acesso de longo prazo a uma parte das reservas de petróleo bruto da Venezuela, afirmaram nesta quinta-feira fontes a par das negociações, uma medida que poderia, em última instância, reduzir o custo das importações de petróleo.
O acordo, que poderá ser assinado e divulgado em breve, deve funcionar de forma a permitir que o governo dos EUA garanta o controle de um conjunto de campos petrolíferos venezuelanos a serem explorados por empresas americanas, disseram as fontes, acrescentando que o abastecimento resultante seria garantido para os Estados Unidos.
“Isso é real e está sendo discutido nos mais altos níveis dos governos dos EUA e da Venezuela”, disse uma das fontes.
Outra fonte disse que um “contrato de arrendamento” estava sendo considerado como o modelo jurídico para viabilizar o acordo, com um leilão ou licitação posterior para distribuir cada um dos campos entre os produtores norte-americanos.
Uma lista de 17 campos em negociação, vista pela Reuters, inclui campos em fase inicial na vasta Faixa do Orinoco, combinados com áreas maduras no Lago Maracaibo, alguns dos quais são atualmente operados por uma pequena empresa chinesa cujo contrato foi assinado durante o governo Maduro.
A Casa Branca encaminhou as perguntas ao Departamento de Energia dos EUA. O Ministério do Petróleo da Venezuela, a petrolífera estatal PDVSA e o Departamento de Energia não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. A ministra do Petróleo venezuelana, Paula Henao, não foi localizada para comentar o assunto.
A Venezuela está considerando deixar a Opep, grupo de produção de petróleo, à medida que fortalece laços com os EUA, informou a Bloomberg na noite desta quinta-feira. A Venezuela, que aderiu ao grupo como membro fundador em 1960, não cumpre as cotas da Opep há anos, já que sua indústria petrolífera estatal sofreu com negligência e corrupção. Os EUA há muito tempo estão em desacordo com a Opep devido à influência desta sobre os preços do petróleo.
A atual regulamentação de hidrocarbonetos na Venezuela, que possui as maiores reservas de petróleo bruto do mundo, não prevê concessões de áreas petrolíferas, enquanto a Constituição reserva as atividades centrais do setor ao Estado.
DESAFIOS
A legislação petrolífera reformada recentemente permite a exploração de campos de petróleo por meio de joint ventures e contratos de partilha da produção. Durante décadas, o governo venezuelano impediu que produtores estrangeiros registrassem as reservas de petróleo do país em seus balanços.
Embora os detalhes completos do possível acordo entre Washington e Caracas ainda não tenham sido divulgados, ele poderia levantar questões constitucionais e enfrentar contestação judicial, segundo especialistas.
O Axios foi o primeiro a noticiar as negociações nesta quinta-feira e informou que o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, planeja uma viagem a Caracas já na próxima semana.
Desde que os EUA capturaram e destituíram o ex-presidente Nicolás Maduro do poder em janeiro, Washington vem tentando garantir um fluxo estável de petróleo bruto venezuelano para as refinarias norte-americanas, ao mesmo tempo em que promove o investimento dos EUA no deteriorado setor energético da Venezuela, que atualmente produz cerca de 1,25 milhão de barris por dia de petróleo bruto.
O governo do presidente Donald Trump está sob pressão antes das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro, devido ao aumento dos preços da gasolina, que poderia ser amenizado por meio de suprimentos de petróleo mais baratos e da ampliação da produção. Os EUA também vêm buscando soluções para reabastecer sua Reserva Estratégica de Petróleo (SPR), incluindo a possibilidade de trocas de petróleo bruto com produtores norte-americanos.
(Reportagem de Marianna Parraga, em Houston, e Jarrett Renshaw, em Washington)



