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Dólar ronda estabilidade enquanto mercados aguardam tarifas de Trump

Nota de cinco dólares dos Estados Unidos em destaque, mostrando detalhes como a assinatura do secretário do Tesouro e o símbolo da moeda.

Por Fernando Cardoso

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar à vista rondava a estabilidade ante o real nesta quarta-feira, mantendo-se abaixo dos R$5,70, à medida que os investidores se posicionam para o anúncio de tarifas recíprocas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mais tarde, com a expectativa de uma guerra comercial global no radar.

Às 9h44, o dólar à vista subia 0,06%, a R$5,6865 na venda.

Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha baixa de 0,04%, a R$5,709 na venda.

A sessão desta quarta é marcada pelo anúncio de novas taxas comerciais por Trump, que já ocupa o foco dos mercados desde a semana passada, uma vez que o presidente norte-americano já vinha sinalizando a apresentação de tarifas recíprocas em 2 de abril, classificando a data como “Dia da Libertação”.

Trump, que prometeu ainda durante sua vitoriosa campanha à Casa Branca que buscaria equilibrar a balança comercial dos EUA, deseja responder às taxas e outras barreiras comerciais impostas por parceiros a produtos norte-americanos, mas forneceu poucos detalhes sobre as medidas planejadas.

O anúncio está programado para às 17h (horário de Brasília), na Casa Branca, com as taxas entrando em vigor imediatamente.

Analistas temem o escopo e o alcance das tarifas de Trump, com a preocupação de que caso sejam altas e amplas possam reacender a inflação global e impactar a atividade econômica de vários países, provocando uma recessão.

Trump disse no domingo que as taxas atingirão todos os países, derrubando uma expectativa anterior de que as medidas fossem mais direcionadas para determinados parceiros e setores econômicos.

Desde que assumiu o cargo em janeiro, o governo de Trump tem sido marcado por suas ameaças tarifárias, muitas vezes seguidas de recuos ou adiamentos, o que tem apenas aumentado as incertezas entre investidores.

Até o momento, Trump já implementou tarifas de 25% sobre importações de aço e alumínio, taxa de 20% sobre produtos chineses e tarifas de 25% sobre mercadorias de Canadá e México que não respeitem as regras de um acordo comercial da América do Norte.

Uma tarifa de 25% sobre importações de automóveis também entrará em vigor na quinta-feira.

“A maior parte dos analistas acredita que o governo vai se focar nas tarifas de reciprocidade, nas tarifas sobre os países, mas o fato é que a gente continua com elevado grau de incerteza sobre um tópico da política comercial dos EUA que vai ter consequências sobre o restante do globo”, disse Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Diante da espera pelo anúncio, os agentes financeiros preferiam ficar às margens dos negócios, gerando pouca volatilidade nos mercados ao redor do mundo.

O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,17%, a 104,020.

Em meio à espera por Trump, dados dos EUA também estavam no radar. A criação de vagas de trabalho no setor privado acelerou em março, mostrou relatório da ADP. Foram abertos 155.000 empregos no mês passado, depois de 84.000 em fevereiro. Economistas em pesquisa da Reuters previam 115.000 vagas.

Na cena doméstica, o mercado ficará de olho em um evento de comemoração dos 60 anos do Banco Central, em Brasília, que contará com a presença do presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, além de ex-presidentes do BC.

Na frente de dados nacionais, o IBGE relatou que a indústria brasileira frustrou as expectativas e teve queda de produção em fevereiro. A produção teve recuo de 0,1% na comparação com o mês anterior, apresentando avanço de 1,5% ante o mesmo mês do ano anterior.

 

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