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Dólar avança com movimento de ajuste em meio a incertezas geopolíticas e fiscais

Uma pilha de notas de dólares americanos, representando riqueza e finanças. A imagem destaca diversos valores em dinheiro, simbolizando o termo financeiro.

Por Fernando Cardoso

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar à vista avançava ante o real nesta terça-feira, recuperando algumas da perdas da sessão anterior, à medida que os investidores se posicionam para uma série de reuniões de bancos centrais ao longa da semana, enquanto navegam por incertezas geopolíticas e fiscais.

Às 9h43, o dólar à vista subia 0,28%, a R$5,7021 na venda.

Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha alta de 0,14%, a R$5,713 reais na venda.

Neste pregão, os agentes financeiros pareciam realizar ajustes em relação às posições assumidas na véspera, quando o dólar à vista fechou o dia com baixa de 1,03%, a R$5,6861, menor cotação desde 7 de novembro do ano passado.

O movimento da sessão de segunda-feira esteve fortemente atrelado a uma busca por ativos de países emergentes, na esteira dos aumentos dos preços do petróleo diante do maior otimismo em relação à economia da China e de expectativa para uma resolução da guerra na Ucrânia.

Apesar de os preços do petróleo continuarem em alta nesta terça, alguns ativos emergentes, incluindo o real, sofriam maior aversão desta vez, à medida que os investidores digerem mais notícias na cena doméstica e externa, enquanto se ajustam antes das decisões de vários bancos centrais.

Um motivo de preocupação era a nova escalada dos conflitos na Faixa de Gaza, após Israel realizar ataques no enclave que mataram mais de 400 pessoas, segundo fontes palestinas, o que efetivamente derrubaria o cessar-fogo em vigor na região.

Com isso, tornava-se ainda mais crucial o telefonema entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para discutir a guerra na Ucrânia, com os mercados ansiosos pelo fim de pelo menos um dos dois conflitos que têm ocupado o noticiário recentemente.

“Não há exatamente a expectativa de que vai se chegar a um cessar-fogo no dia de hoje, mas observa-se os avanços propostos pelos EUA de reativar as negociações e tentar levar a Rússia para um acordo que seja aceitável”, disse Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX

“Então, aumenta um pouco a perspectiva de uma melhora do ambiente de riscos geopolíticos, mesmo que sejam passos iniciais. Isso também tende a favorecer o apetite por ativos de risco globalmente”, completou.

No Brasil, os receios fiscais voltavam à tona diante da espera pelo anúncio do envio ao Congresso do projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5.000 por mês.

O mercado teme que a medida — uma promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — piore ainda mais o quadro das contas públicas caso não seja compensada devidamente.

O anúncio da reforma do IR no fim do ano passado foi uma das principais razões do estresse entre investidores que causou a disparada da moeda norte-americana no Brasil em 2024.

“O projeto vai tramitar pelo Legislativo, onde o governo tem uma certa dificuldade de articulação e os temores dos investidores é que, durante a tramitação, as medidas de compensação de receita sejam enfraquecidas… Por isso, um certo receio fiscal”, afirmou Mattos.

Duas fontes com conhecimento do assunto disseram à Reuters na segunda que o governo proporá uma taxação de 10% sobre lucros e dividendos remetidos ao exterior para compensar parte da renúncia de arrecadação do projeto.

Na quarta-feira, as atenções dos investidores se voltarão para as reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) e do Federal Reserve, que podem moldar a precificação de ativos no Brasil.

Espera-se que o Copom eleve a taxa Selic em mais 1 ponto percentual, a 14,25% ao ano, como já foi sinalizado pela própria autarquia no encontro de janeiro.

Já o banco central dos EUA deve manter a taxa de juros inalterada, à medida que avalia as crescentes incertezas comerciais e econômicas nos EUA impulsionadas pelas medidas do governo Trump.

O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,13%, a 103,590.

 

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