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Demanda constitucionalmente impossível dos EUA barra negociações sobre tarifaço, diz Haddad

Imagem de um homem sério, com expressão de concentração, falando ao microfone, em ambiente interno com fundo de madeira. Retrato de alta qualidade.

SÃO PAULO (Reuters) – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira que a negociação tarifária entre Brasil e Estados Unidos não ocorre porque o país norte-americano quer impor aos brasileiros uma solução “constitucionalmente impossível”.

Em evento organizado pelo canal Times Brasil CNBC e o Financial Times, Haddad disse acreditar que o comércio bilateral entre os dois países vai cair ainda mais.

“As negociações só não ocorrem porque os Estados Unidos estão tentando impor ao Brasil uma solução constitucionalmente impossível, que é o Executivo se imiscuir em assuntos de outro Poder, que é o Poder Judiciário”, disse Haddad.

A tarifa de 50% sobre uma série de produtos brasileiros foi imposta pelo governo do presidente Donald Trump sob o argumento de que o ex-presidente Jair Bolsonaro sofre uma “caça às bruxas” pelo Judiciário brasileiro.

Haddad disse que o Brasil está disposto a negociar comercialmente com os Estados Unidos, mas que no momento não existe disposição de Washington para conversar. Ao mesmo tempo, ele disse “não acreditar” que o impasse com os EUA durará um ou dois anos, quando foi questionado se a economia brasileira resistiria a esse período de tarifas elevadas.

“Eu não acredito que isso vai acontecer, em primeiro lugar. Em segundo lugar, hoje o comércio com os Estados Unidos representa metade do que representava no começo do século”, afirmou.

“E pelo andar dos acontecimentos, eu acredito, infelizmente, que o comércio bilateral vai cair ainda mais”, previu.

Haddad afirmou, ao mesmo tempo, que Brasil e EUA têm grande potencial de parcerias e que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem interesse em concretizá-las com Washington.

No evento, Haddad disse ainda estar “um pouco preocupado” com o patamar atual da taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano, o que classificou como “ultra restritivo”. Ele também previu que a inflação ficará dentro da banda de tolerância da meta no ano que vem e assegurou que o governo cumprirá seus compromissos fiscais neste ano.

Em fala a jornalistas após o evento, o ministro afirmou que a tarefa de sua equipe esta semana será regulamentar as medidas de apoio a setores afetados pela elevação da tarifa dos EUA, “para fazer chegar na ponta os recursos liberados”.

Na quarta-feira, o governo anunciou um plano de contingência que inclui R$30 bilhões em linhas de crédito, aportes de R$4,5 bilhões em diferentes fundos garantidores e até R$5 bilhões em créditos tributários a exportadores.

 

(Por Eduardo Simões, reportagem adicional de Bernardo Caram)

 

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