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BC do Japão eleva juros para máxima em 31 anos e sinaliza mudança na política monetária

BC do Japão eleva juros para máxima em 31 anos e sinaliza mudança na política monetária

Por Leika Kihara e Makiko Yamazaki

TÓQUIO, 18 Set (Reuters) – O Banco do Japão elevou a taxa de juros nesta sexta-feira para o nível mais alto em 31 anos, com seu presidente sinalizando que o banco central entrou em uma nova fase voltada a evitar que a inflação ultrapasse sua meta, abrindo caminho para novos aumentos.

Mas a mensagem hawkish não conseguiu impulsionar o iene. Em vez disso, a moeda se desvalorizava, já que os investidores se concentraram na dissidência de duas autoridades, que argumentaram que o Banco do Japão deveria manter a paciência ao elevar os custos dos empréstimos.

O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, afirmou que, com a inflação subjacente se aproximando de 2%, o foco do banco mudou de impulsionar os preços para atingir a meta para se proteger contra um excesso de inflação.

“Se os riscos de a inflação subjacente ultrapassar 2% se concretizarem, isso poderá ter um impacto negativo na economia do Japão”, disse ele em uma coletiva de imprensa.

“É importante estabilizar a inflação subjacente em 2%. Nossa fase de política monetária mudou”, disse Ueda em sua declaração mais enfática até o momento sobre a determinação do banco central em combater as pressões sobre os preços por meio de aumentos contínuos dos juros.

Ueda disse que não descartaria nem aumentos consecutivos nem altas de 50 pontos-base. Ele ressaltou, no entanto, que o Banco do Japão pretende agir preventivamente para evitar ser forçado a tomar medidas drásticas que possam desestabilizar os mercados financeiros.

“A mensagem de Ueda parece ser que o Banco do Japão mantém em aberto a opção de novos aumentos nos juros e está acompanhando de perto a inflação para estabilizá-la”, disse Vasu Menon, diretor-gerente de estratégia de investimentos do OCBC em Cingapura.

“De modo geral, a decisão do Banco do Japão e os comentários de Ueda apontam para uma postura moderadamente hawkish no médio prazo. No entanto, a mensagem para o curto prazo não é hawkish o suficiente para provocar uma reprecificação significativa do iene.”

Na reunião de dois dias que terminou nesta sexta-feira, o banco central elevou sua taxa básica de juros de 1% para 1,25% por 7 votos a 2. Os membros dovish da diretoria, Toichiro Asada e Ayano Sato, discordaram da decisão.

O movimento segue os aumentos nas taxas de juros realizados por seus pares europeus e norte-americanos, destacando o foco dos bancos centrais nos riscos globais de inflação causados pelo aumento nos custos de energia devido à guerra no Irã, pelas políticas fiscais expansionistas e pela crescente demanda por investimentos em IA.

Foi o primeiro aumento em três meses e aproxima a taxa de juros dos níveis que o Banco do Japão considera neutros para a economia, marcando mais um passo de afastamento das décadas de taxas ultrabaixas que consolidaram o status do iene como uma moeda de financiamento global barata.

Em comunicado anunciando a decisão, o banco central afirmou que, embora a evolução econômica e dos preços esteja ocorrendo em linha com sua previsão básica, havia o risco de a inflação subjacente se desviar de sua meta de 2%.

“A inflação no atacado permanece elevada e as pressões sobre os preços decorrentes do comércio entre empresas começaram a se refletir nos preços ao consumidor”, afirmou o banco central.

“A inflação subjacente vem se aproximando de 2%”, à medida que as empresas continuam repassando o custo dos salários mais altos e as expectativas de inflação continuam aumentando, afirmou o banco.

(Reportagem adicional de Satoshi Sugiyama e Hina Suzuki)

 

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