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Maior competição aumentaria produção e reduziria desigualdade na América Latina, diz BID

Rua movimentada com pedestres e ciclistas cruzando em uma cidade grande, rodeada por edifícios comerciais e escritórios, durante o dia.

Por Rodrigo Campos

NOVA YORK, 11 Dez (Reuters) – A América Latina e o Caribe poderiam aumentar sua produção per capita em 11% e reduzir a desigualdade em 6% se tornassem os mercados mais competitivos, de acordo com um novo relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) publicado nesta quinta-feira.

O estudo aponta a concorrência fraca como um dos principais motivos pelos quais a região não conseguiu converter décadas de progresso macroeconômico em ganhos de produtividade sustentáveis. Os mercados da América Latina são, em média, “cerca de quatro vezes mais concentrados do que os das economias avançadas”, disse o relatório, com efeitos que se refletem diretamente em preços, salários e crescimento das empresas.

O BID concluiu que o aprofundamento da concorrência aumentaria a produtividade da região, expandiria o emprego formal e fortaleceria a capacidade fiscal. “Se a América Latina tivesse o nível de concorrência das economias avançadas, o PIB per capita seria (…) cerca de 11% mais alto, e a desigualdade também cairia”, disse, argumentando que a mudança é essencial para que a região possa elevar os padrões de vida na próxima década.

“O relatório demonstra que os mercados não são apenas um elemento contextual no desenvolvimento; eles desempenham um papel ativo na sua condução”, disse o presidente do BID, Ilan Goldfajn, em um comunicado. “Quando a concorrência funciona, o setor privado pode fazer o que faz de melhor — criar empregos, impulsionar a inovação e proporcionar melhores resultados para trabalhadores e consumidores.”

A região fez muitos progressos nos últimos 30 anos, incluindo a superação da inflação, a estabilização dos sistemas financeiros e a expansão da educação e das redes de segurança, de acordo com Matias Busso, economista-chefe do departamento de pesquisa do BID e editor do relatório.

“Apesar de todo esse progresso, o crescimento permaneceu baixo”, disse Busso, destacando a importância da concorrência. “Quando as empresas enfrentam pressão competitiva, elas reduzem os preços, aumentam as quantidades produzidas, pagam salários mais altos aos seus funcionários e inovam mais.”

Destacando esse ponto, o relatório mostra que, para custos de produção semelhantes, os consumidores da América Latina e do Caribe pagam cerca de 15% a mais do que seus pares de economias avançadas, enquanto o salário líquido é comparativamente menor.

FRAGMENTAÇÃO E REGULAMENTAÇÃO LIMITAM EMPRESAS

O relatório reconhece que corrigir as distorções do mercado não é uma tarefa simples. “A concorrência não acontece por acaso”, disse o relatório, acrescentando que os governos “podem ajudar a criar mercados mais competitivos com uma infraestrutura melhor, com regulamentações mais inteligentes e com instituições mais fortes.”

Um fator importante, segundo eles, é a fragmentação. Muitas cidades e regiões sofrem com a falta de conectividade, altos custos de logística e acesso limitado aos mercados de trabalho, o que mantém as empresas pequenas e isoladas.

A regulamentação reforça essas restrições, de acordo com o relatório. O BID disse que muitas regras funcionam como grandes barreiras à entrada, desestimulando os empreendedores e incentivando as empresas a permanecerem pequenas para evitar os limites de conformidade. Busso disse que essa dinâmica contribuiu para uma falta de empresas de médio porte que, em outras economias, pressionam as empresas estabelecidas a cortar preços e inovar.

As deficiências institucionais limitam ainda mais a concorrência, pois as agências relacionadas da região geralmente têm orçamentos e equipes muito menores do que seus pares em economias avançadas, além de independência limitada. Busso disse que as agências devem ser capazes de intervir “quando as regulamentações estão sendo elaboradas, e não apenas depois”.

 

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