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Dólar sobe ante real em meio a preocupações com tarifas dos EUA

Notas de dólar dos Estados Unidos e reais brasileiros, destacando a diversidade de moedas e a troca monetária em um fundo de cédulas. A imagem ilustra a relação entre as economias dos dois países.

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) – Após oscilar em margens estreitas durante o dia, o dólar fechou a quinta-feira em alta e novamente acima dos R$5,75, com o real perdendo valor junto com outras divisas pares, como o peso mexicano e o peso chileno, em meio a preocupações dos investidores com os efeitos da política tarifária dos Estados Unidos.

O dólar à vista fechou em alta de 0,44%, aos R$5,7580. No ano, porém, a divisa dos EUA acumula baixa de 6,81% ante o real.

Às 17h03 na B3 o dólar para abril — atualmente o mais líquido no Brasil — subia 0,15%, aos R$5,7505.

Na véspera o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou tarifas de 25% para importações de veículos, ampliando a guerra comercial entre países.

A medida pressionou o peso do México e o dólar do Canadá — dois dos principais parceiros comerciais dos EUA, inclusive no setor automotivo –, mas acabou influenciando negativamente também outras moedas, como o real e o peso do Chile.

Após marcar a cotação mínima de R$5,7226 (-0,18%) às 9h02, logo após a abertura, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,7721 (+0,69%) às 10h19.

A expectativa de altas menores da Selic nos próximos meses, conforme alguns profissionais, também era um fator de alta para o dólar, em meio à leitura de que uma taxa básica Selic não tão elevada diminui a atratividade do Brasil para os investimentos estrangeiros.

Por outro lado, autoridades do Banco Central deixaram claro, pela manhã, que há necessidade de continuação do aperto monetário, em função das expectativas de inflação fora da meta.

“Entendemos que o ciclo (de alta de juros) precisa se estender, mas, devido às incertezas, em menor magnitude. A gente consegue informar um horizonte só até a próxima reunião (de política monetária) sobre o que estamos pretendendo fazer”, disse o presidente do BC, Gabriel Galípolo.

O BC elevou na semana passada a taxa Selic em 100 pontos-base, para 14,25% ao ano, e indicou um ajuste de menor magnitude na reunião de maio.

Neste contexto, após atingir a máxima no meio da manhã, o dólar se reaproximou da estabilidade e se manteve assim até a reta final, quando voltou a subir, confirmando a segunda elevação diária consecutiva.

O movimento ocorreu ainda em um contexto de preocupações com o novo programa do governo Lula para impulsionar o crédito consignado. Uma das leituras é a de que, enquanto o governo impulsiona o consumo com o consignado por um lado, o Banco Central tenta reduzir o ritmo da economia por outro, para conter a inflação.

“Isso está pegando também no câmbio. Se olharmos, estávamos falando de um dólar a R$5,66 há alguns dias e agora estamos com a moeda em R$5,75”, pontuou Lucélia Freitas Aguiar, especialista em câmbio da Manchester Investimentos. “A medida do governo traz incertezas.”

No início da tarde, durante coletiva de imprensa em Brasília, Galípolo afirmou ainda que a autarquia não tem nenhuma intenção de alterar sua atuação na rolagem de swaps cambiais. Há meses o BC tem rolado os swaps programados para vencer nos meses seguintes, tirando eventuais pressões sobre as cotações.

Galípolo argumentou que o BC não costuma fazer “movimentos de duas alavancas ao mesmo tempo”.

“Estamos em um ciclo de alta (da Selic) e a gente não gosta de fazer (outros movimentos), porque a gente quer perceber como vai se dar o processo de desdobramento”, afirmou.

Às 17h30, no exterior o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,34%, a 104,280.

 

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