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Dólar dispara em linha com emergentes após China retaliar tarifas dos EUA

Notas de cinco dólares dos Estados Unidos sobre a bandeira americana, simbolizando a economia e o dólar como moeda forte.

Por Fernando Cardoso

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar à vista disparava frente ao real nesta sexta-feira, em linha com os ganhos ante outras moedas emergentes e devolvendo as perdas da sessão anterior, à medida que cresciam os temores de uma guerra comercial global após a China retaliar as tarifas anunciadas nesta semana pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Às 9h50, o dólar à vista subia 1,76%, a R$5,7281 na venda. Na semana, a divisa dos EUA acumula queda de 0,6%.

Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha alta de 1,62%, a R$5,753 na venda.

A China anunciou nesta sexta-feira medidas retaliatórias às tarifas impostas pelo presidente dos EUA, incluindo taxas adicionais de 34% sobre todos os produtos norte-americanos e restrições à exportação de algumas terras raras. O Ministério das Finanças da China afirmou que as tarifas adicionais serão adotadas a partir de 10 de abril.

Trump havia anunciado na quarta-feira uma tarifa de 34% sobre a China, além dos 20% que ele já havia adotado neste ano, elevando o total de novas taxas para 54%. Ele apresentou uma taxa mínima de 10% sobre todas as importações dos EUA, com tarifas mais altas para determinados parceiros.

“A resposta da China às novas tarifas dos EUA aumentou as preocupações do mercado. Não apenas com o impacto econômico direto dessas tarifas… A preocupação é que a medida possa levar a uma possível escalada adicional da guerra comercial pelo lado norte-americano”, disse Eduardo Moutinho, analista de mercados do Ebury Bank.

Diante da perspectiva de que as tensões comerciais possam escalar ainda mais, à medida que outros parceiros dos EUA, como a União Europeia, também preparam suas respostas às tarifas de Trump, os investidores voltavam a fugir de ativos mais arriscados em busca da segurança.

Na quinta-feira as moedas de países emergentes haviam sido beneficiadas pela fuga de risco global. A percepção era de que uma recessão econômica nos EUA levaria a cortes antecipados na taxa de juros pelo Federal Reserve, o que favoreceria o diferencial de juros desses países.

No Brasil, em particular, o fato de a taxação do país pelos EUA ter ficado restrita à alíquota mínima de 10% também havia sido motivo de alívio, deixado os agentes financeiros um tanto mais otimistas em relação ao país.

Na véspera, o dólar à vista fechou em baixa de 1,18%, a R$5,6290 — menor cotação de fechamento desde 16 de outubro do ano passado.

Nesta sessão, no entanto, as divisas emergentes também eram afetadas pelo movimento de aversão, com o dólar avançando de forma acentuada sobre o peso mexicano, o rand sul-africano e o peso chileno.

No radar dos mercados ainda estavam novos dados de emprego da maior economia do mundo, com o governo norte-americano informando que foram abertos 228.000 postos de trabalho no país em março, acelerando em relação ao mês anterior e bem acima dos 135.000 previstos em pesquisa da Reuters.

Operadores precificam pelo menos quatro cortes de juros pelo Fed neste ano, à medida que projetam que o banco central dos EUA terá que atuar para tentar evitar uma recessão. Antes do anúncio de Trump, a projeção era de apenas duas reduções na taxa.

O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,18%, a 102,190.

No cenário doméstico, as atenções estão voltadas para a resposta brasileira às tarifas de Trump.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou na quinta-feira que a tarifa de importação imposta pelos EUA ao Brasil é ruim, apesar de ter ficado no nível mínimo de 10%, e que os dois países terão uma nova rodada de negociações na próxima semana.

 

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