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Calor extremo é ameaça crescente para sedes da Copa do Mundo de 2026, diz relatório

Publicidade da Copa do Mundo 2022 em Los Angeles, com o logo FIFA e detalhe de troféu de futebol em destaque na imagem

Por Martyn Herman

LONDRES (Reuters) – A Copa do Mundo de 2026 pode ser a última da América do Norte sem uma adaptação climática urgente, de acordo com um novo estudo que destaca as ameaças climáticas extremas.

O relatório “Pitches in Peril” constatou que 10 dos 16 estádios estão em risco muito alto de sofrer condições extremas de estresse por calor.

Até 2050, quase 90% dos estádios-sede da América do Norte precisarão de adaptação ao calor extremo, enquanto um terço enfrentará uma demanda de água igual ou superior à oferta.

O relatório também destacou os riscos para as sedes da Copa do Mundo de 2030 e 2034 e examinou o impacto de um clima mais quente nos campos de futebol de base que já foram usados por 18 jogadores icônicos.

“Como alguém da Espanha, não posso ignorar a crise climática”, disse o vencedor da Copa do Mundo da Espanha Juan Mata, referindo-se às inundações devastadoras de Valência no ano passado.

“O futebol sempre uniu as pessoas, mas agora também é um lembrete do que podemos perder.”

A Copa do Mundo de Clubes deste ano nos EUA ofereceu uma prévia preocupante, com condições descritas como impossíveis pelos jogadores.

O torneio foi marcado por calor extremo e tempestades que forçaram a Fifa, órgão dirigente do futebol mundial, a adaptar os protocolos, acrescentando intervalos para resfriamento e água, bancos com sombra e ventiladores de ar.

De acordo com o relatório, 14 dos 16 estádios da Copa do Mundo nos EUA, Canadá e México excederam os limites de segurança em 2025 para pelo menos três grandes riscos climáticos: calor extremo, chuvas que impedem partidas e inundações.

Treze deles já apresentam pelo menos um dia por verão que excede o limite da Fifa para pausas para bebidas de 32°C Wet-Bulb Globe Temperature (WGBT) — um índice internacionalmente reconhecido usado para medir o estresse térmico humano sob luz solar direta.

As temperaturas em Atlanta, Dallas, Houston, Kansas City, Miami e Monterrey ultrapassaram essa marca por dois meses ou mais.

“À medida que avançamos na década, os riscos continuarão aumentando, a menos que tomemos medidas drásticas, como transferir as competições para os meses de inverno ou para regiões mais frias”, disse Piers Forster, diretor do Priestley Centre for Climate Futures, em Leeds.

O relatório de 96 páginas pede que o mundo do futebol se comprometa com a meta de emissões líquidas zero até 2040 e publique planos de descarbonização confiáveis, além de solicitar que os organizadores de torneios criem fundos de adaptação.

O relatório também afirma que 91% dos 3.600 torcedores entrevistados nas três sedes querem que a Copa do Mundo de 2026 seja um modelo de sustentabilidade.

 

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