thomson reuters

BLOG | REVISTA DOS TRIBUNAIS

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

EXCLUSIVO-Brasil criará representação tributária em Pequim em meio a estreitamento de laços com China

Bandeiras do Brasil, China e outros países em desfile militar, destacando a importância das relações internacionais e parcerias entre países.

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) – O Brasil criará uma adidância tributária na China, informou o Ministério da Fazenda, classificando a investida como estratégica diante do fortalecimento das relações bilaterais entre os dois países.

O novo posto em Pequim será instituído via decreto presidencial, informou o ministério à Reuters em resposta a um questionamento.

A medida representa mais um passo no aprofundamento do engajamento do Brasil com a China, em um momento de crescentes tensões comerciais globais alimentadas pela política tarifária do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A Reuters teve acesso à minuta do decreto e a documentos preparatórios, que mencionam a “crescente complexidade” do comércio bilateral com a China e a necessidade de ampliar a cooperação em temas tributários e aduaneiros.

Atualmente, o Brasil conta com quatro adidâncias tributárias no exterior: em Washington e Buenos Aires, ambas abertas em 2000, e em Assunção e Montevidéu, criadas em 2002.

Os EUA seguem como a principal fonte de investimento estrangeiro direto no Brasil, enquanto Argentina, Paraguai e Uruguai são parceiros cofundadores do país no Mercosul.

Questionado sobre o motivo de o Brasil só agora estar mirando uma adidância na China, visto que o gigante asiático é seu principal parceiro comercial desde 2009, o ministério negou qualquer relação com a atual guerra tarifária.

O Brasil foi recentemente alvo do anúncio de uma pesada tarifa de 50% pelos EUA sobre suas exportações e não teve suas propostas comerciais respondidas pelos norte-americanos, em meio a críticas de Trump aos processos na Justiça brasileira contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Enquanto isso, as relações do Brasil com a China vêm avançando em sentido oposto. Desde que tomou posse em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já se reuniu três vezes com o presidente chinês, Xi Jinping.

Os dois países também assinaram memorandos de entendimento para explorar projetos de integração em transportes, incluindo uma proposta de corredor ferroviário bioceânico ligando a costa atlântica do Brasil ao porto de Chancay, no Peru, construído pelos chineses, com o objetivo de acelerar exportações para a Ásia.

Segundo o Ministério da Fazenda, as discussões sobre a adidância em Pequim começaram em 2023 e passaram por avaliações técnicas de diversos ministérios, incluindo a pasta das Relações Exteriores, desde 6 de janeiro deste ano.

“Não tem qualquer razão política”, afirmou a pasta, ressaltando que a medida reflete a relevância do comércio bilateral e a necessidade de aprofundar a cooperação tributária e aduaneira.

Adidos tributários desempenham um “papel estratégico” na cooperação internacional ao trocar informações fundamentais para o combate a ilícitos fiscais e aduaneiros, afirmou o ministério.

Eles também prestam orientação técnica sobre a legislação brasileira a investidores estrangeiros e cidadãos no exterior, contribuindo para maior segurança jurídica e um ambiente de negócios mais estável, acrescentou.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas

Post Relacionado

Ibovespa abre em queda com tensões geopolíticas e tarifas no radar

SÃO PAULO, 3 Jun (Reuters) – O Ibovespa operava em queda nos primeiros negócios desta quarta-feira, embalado pela cautela vinda do exterior após novas hostilidades no Golfo Pérsico envolvendo os Estados Unidos e o Irã, ao mesmo tempo em que os agentes também monitoram os desdobramentos das novas medidas tarifárias

Lula diz que decidiu ir à reunião do G7 na França este mês

BRASÍLIA, 3 Jun (Reuters) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que mudou de ideia e decidiu que irá participar da reunião do grupo das sete maiores economias do mundo, o G7, na França, no dia 15 deste mês. Em discurso ao abrir reunião ministerial no