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Produtor de café do Brasil avalia que nova safra ainda não bate 2020 e negócios travam

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Por Roberto Samora

SANTOS, 21 Mai (Reuters) – Com colheita em fase inicial, produtores de café arábica de Minas Gerais não acreditam que a safra de 2026 vai superar o recorde de 2020, diferentemente do que apontam alguns analistas e comerciantes.

Representantes de cooperativas do sul de Minas e do Cerrado afirmam ainda que, em meio a expectativas de uma grande safra no país — maior exportador global –, há uma diferença grande entre o que os compradores internacionais querem pagar e o que pedem os cafeicultores, travando os negócios.

Consultorias projetam que o Brasil deverá colher mais de 70 milhões de sacas de 60 kg neste ano, enquanto a estatal Conab também vê um recorde produtivo, ainda que considere uma máxima histórica em patamar mais baixo.

Até 2026, 2020 era visto como o ano com maior produção. Mas, enquanto o produto da safra atual não estiver no armazém, cooperativas não pensam assim.

“O melhor ano para nós foi 2020 e não vemos este ano superar 2020 de forma nenhuma. Acreditamos mais ele ser perto de 2024 ou 2023, que foram anos bons”, disse Jacques Miari, presidente da Cocatrel, com sede em Três Pontas, no sul de Minas Gerais, principal região do arábica no Brasil.

“2020 foi o ano fabuloso, em que tudo aconteceu de bom. Condição climática, trato de lavoura, bianualidade positiva, tudo aconteceu em 2020”, disse à Reuters o representante da Cocatrel, uma das maiores cooperativas de café do Brasil, durante o Seminário Internacional do Café, em Santos.

Joaquim Frezza, gestor comercial da Coocacer, com sede em Araguari, no Cerrado Mineiro, disse que o início da colheita confirma a expectativa de boa produção, mas não deve superar 2020. “Acho que vai equiparar”, declarou.

Luiz Fernando dos Reis, superintendente comercial da Cooxupé, maior cooperativa e exportadora de café do Brasil, disse que há projeções de recorde para a produção brasileira somando-se os volumes de grãos arábica e de robusta.

“No arábica, só no arábica, a gente não está vendo um número de produção maior do que 2020 ainda”, disse Reis.

Enquanto a safra ainda está no início, ele disse que a Cooxupé está mantendo suas previsões de recebimento e exportação.

A Cooxupé projeta exportações de 4,4 milhões de sacas de café em 2026, o que seria uma queda de 500 mil sacas em relação ao ano passado, já que os embarques mais fortes esperados para o segundo semestre não seriam suficientes para compensar a queda registrada na primeira parte do ano, quando os estoques estavam baixos.

O recebimento de café esperado pela Cooxupé está em 6,8 milhões de sacas, o que seria um aumento de cerca de 800 mil sacas ante 2025. “A gente pode sim, de repente, ter condições de receber um pouco mais de café. Mas nós não mudamos ainda…”, disse o superintendente, lembrando que a Cooxupé já recebeu 8 milhões de sacas em 2020.

NEGÓCIOS TRAVADOS?

“Mesmo não sendo recorde no arábica, é uma safra muito boa. O que está acontecendo hoje é que os negócios ainda não estão prontos. O comprador ainda está esperando, aguardando a entrada desse fluxo comercial”, disse Reis.

Ele comentou que o produtor está “muito devagar nas vendas ainda”, após ter vendido o café a valores mais altos.

Para representantes da Cocatrel, há atualmente um descompasso no preço de exportação e no valor que o produtor está querendo no seu café.

“Hoje o mercado está muito travado no caso de exportações. Nós estamos trabalhando mais no mercado interno, as exportações hoje não estão fazendo muito sentido”, disse Miari, presidente da cooperativa de Três Pontas.

Chico Pereira, gerente de comercialização da Cocatrel, disse que a cooperativa recebeu no evento em Santos comerciantes que negociam milhões de sacas, mas os negócios ainda estão em compasso de espera.

Os diferenciais de preços em relação à cotação da bolsa de Nova York estão muito distantes entre compradores e vendedores, confirmou Pereira.

“No preço que eu estou pagando ao produtor hoje tenho que vender a mais de 60 (centavos de dólar por libra-peso). Aí você vê a oferta: mais 5, mais 10. Então dá uma diferença de 50 centavos”, disse ele.

Pereira comentou que, nessa situação, o mercado está parado. “Não tem como performar, não tem como exportar agora… O ‘bid’ que eu recebo de for a eu não consigo comprar e exportar com a margenzinha que eu preciso.”

Apesar da grande colheita esperada, essa disputa seguirá, disse Pereira, em momento em que muitos produtores conseguem segurar vendas após se capitalizarem com preços recordes em anos recentes.

(Por Roberto Samora; edição de Pedro Fonseca)

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