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Ministério Público do Trabalho entra com ação para banir herbicida atrazina no Brasil

Ministério Público do Trabalho entra com ação para banir herbicida atrazina no Brasil

Por Ana Mano

SÃO PAULO (Reuters) – O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação judicial para proibir o uso da atrazina, princípio ativo presente em 5% dos pesticidas vendidos no Brasil, informaram os procuradores nesta quinta-feira.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que seria forçada a cancelar o registro de pesticidas que contêm atrazina se um juiz decidir a favor do MPT, não comentou imediatamente a ação judicial apresentada na quarta-feira em um tribunal de Brasília.

A atrazina, que é usada em culturas que vão da cana-de-açúcar ao milho e à soja, foi proibida na União Europeia em 2003 devido ao risco de contaminar as águas subterrâneas.

Nove anos depois, também foi proibida na Suíça, sede da Syngenta, que desenvolveu o herbicida e continua produzindo e exportando o produto químico, segundo os procuradores.

Em seu site, a Syngenta classifica a atrazina como “segura para as pessoas” e “boa para o meio ambiente e a economia”, citando estudos que atestam sua segurança nas fazendas dos Estados Unidos, onde seu uso é permitido.

Em comunicado, a Syngenta reconheceu que importa e vende no Brasil produtos formulados por ela mesma contendo atrazina, tanto isolada quanto em misturas.

A empresa também disse que a atrazina está registrada em mais de 50 países, e afirmou que o princípio ativo é uma ferramenta crucial para ajudar os agricultores a tratar ervas daninhas e aumentar o rendimento das colheitas.

O Brasil, uma potência do agronegócio, é o maior consumidor de pesticidas do mundo, incluindo muitos proibidos em outros países. Pesquisadores estimam que o Brasil é responsável por cerca de 20% do uso total de pesticidas no mundo.

Os procuradores citaram dados do Ibama de 2021, os mais recentes disponíveis, mostrando que a atrazina foi o quinto ingrediente de pesticida mais usado no país. O mais vendido foi o glifosato, um herbicida que a soja geneticamente modificada foi projetada para tolerar.

Maior exportador mundial de soja e açúcar e um grande produtor de milho, o Brasil importou cerca de 77.700 toneladas de produtos contendo atrazina em 2022, principalmente da China, que respondeu por cerca de 80% dos suprimentos, de acordo com dados comerciais do governo brasileiro.

Os Estados Unidos e Israel também exportam o produto químico para o Brasil, segundo os dados.

(Reportagem de Ana Mano)

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