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Metade do ganho do real se deve à alta da moeda brasileira e metade vem da baixa do dólar, avalia diretor do BC

Imagem de notas de dinheiro do Brasil, incluindo cédulas de 50 reais e um dólar americano, destacando a diversidade de moedas e cédulas no mercado financeiro brasileiro e internacional.

SÃO PAULO (Reuters) – O diretor de Política Monetária​ do Banco Central, Nilton José David, avaliou nesta quinta-feira que metade do ganho de valor do real este ano se deve à valorização da própria moeda brasileira, enquanto a outra metade se deve ao enfraquecimento do dólar.

Desde o início de 2025 o dólar acumula baixa de cerca de 13% ante o real, acompanhando um movimento mais amplo visto também em outras praças, de queda da moeda norte-americana ante divisas de países emergentes. No ano passado, o dólar havia subido 27% ante o real.

“A valorização do real deste ano vem metade da valorização do real per se e metade do enfraquecimento do dólar”, disse David durante evento da Câmara Espanhola, em São Paulo, acrescentando que o dólar está atualmente no mesmo nível de 15 meses atrás. “Houve um ruído de volatilidade e um retorno.”

David afirmou ainda que as reservas internacionais do Brasil estão em nível “bastante razoável” e que isso não lhe “tira o sono”.

“As reservas cresceram quase 10% este ano, por rentabilidade. Não compramos dólares”, lembrou David. “Elas são reservas para o caso de necessidades.”

O diretor do BC citou ainda uma característica do mercado de câmbio brasileiro, que tem mais de 90% da liquidez concentrada nos derivativos, contra cerca de 10% do segmento spot (à vista) — ao contrário do que se vê em outros países, que concentram cerca de 50% em cada um dos segmentos.

Além disso, David ponderou que os canais de comunicação entre os mercados spot e de derivativos cambiais no Brasil são “razoavelmente estreitos”.

Por conta disso, segundo ele, quando ocorre alguma disfuncionalidade no mercado de câmbio, atuar no spot não é o mais eficiente.

De fato, historicamente, esta característica do mercado brasileiro tem levado o BC a atuar mais por meio de swaps cambiais — um tipo de derivativo que influencia os preços no mercado futuro de dólar — do que por meio da venda direta da moeda norte-americana.

Questionado se, em função das características do mercado brasileiro, ele observa principalmente as reservas brutas ou as reservas líquidas (com o desconto da posição do BC em swaps), David defendeu que “o mundo de swap é apartado das reservas”.

Os dados mais recentes do BC mostram que as reservas internacionais somam cerca de US$357 bilhões atualmente, contra US$330 bilhões do fim de 2024.

 

(Reportagem de Fabrício de Castro)

 

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