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Dólar sobe com inflação dos EUA e impasse Brasil-EUA em foco

Mulher usando smartphone na exportadora de câmbio, verificando taxas de moedas estrangeiras como dólar, euro, libra esterlina e peso chileno em ambiente de loja de câmbio.

Por Fernando Cardoso

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar à vista subia ante o real nesta sexta-feira, na esteira dos ganhos da moeda norte-americana no exterior, conforme os investidores avaliavam dados de inflação dos Estados Unidos que vieram dentro do esperado, o que mantinha a perspectiva sobre os próximos passos do Federal Reserve.

Às 10h05, o dólar à vista subia 0,34%, a R$5,4247 na venda.

Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha alta de 0,06%, a R$5,423 na venda.

Os movimentos do real nesta sessão tinham como pano de fundo a força da dólar nos mercados globais, com avanços frente a moedas fortes e emergentes, no que parecia ser um processo de reajuste depois de dias consecutivos de fraqueza para a divisa de reserva global.

O dólar vem sendo afetado desde a semana passada com o aumento das apostas de que o Fed poderá cortar a taxa de juros no próximo mês diante de um mercado de trabalho em desaceleração, o que torna a moeda menos atrativa para investidores estrangeiros.

O foco nesta sexta-feira estava em torno de novos dados de inflação dos EUA que podem alterar as projeções para o Fed, mas vieram em linha com o esperado. O governo norte-americano informou que o índice PCE teve alta de 0,2% em julho, ante um avanço de 0,3% no mês anterior.

Em 12 meses até julho, o índice — que é o indicador de inflação preferido do Fed — repetiu a alta de 2,6% registrada em junho. Tanto o número da base mensal quanto da base anual eram esperados em pesquisa da Reuters com analistas.

Com isso, operadores continuavam a precificar uma chance alta, a 88%, de um corte de 0,25 ponto percentual nos juros em setembro, segundo dados da LSEG, com outra redução da mesma magnitude totalmente precificada até dezembro.

O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,18%, a 98,060.

No cenário doméstico, as atenções estavam voltadas para a disputa comercial entre Brasil e EUA. Na véspera, o Ministério das Relações Exteriores acionou a Câmara de Comércio Exterior (Camex) para analisar a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica sobre os EUA.

A notificação à Camex, feita depois de autorização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dá início ao processo que pode levar à adoção de medidas de retaliação aos EUA, depois que o governo do presidente Donald Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

A continuidade do impasse entre os dois países tem sido um fator de preocupação recorrente para o mercado doméstico, que tem se mantido atento a qualquer impacto econômico que a situação possa ter para o Brasil.

Ao longo do dia, as negociações poderão ter maior volatilidade, à medida que se intensifica a disputa pela Ptax de fim de mês. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros.

 

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