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Dólar sobe após PIB do Brasil e inflação dos EUA e com tarifas em foco

Pessoa trocando notas de dólar americano, destaque para as cédulas de 100 dólares, simbolizando temas de economia, finanças ou câmbio.

Por Fernando Cardoso

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar à vista subia ante o real nesta sexta-feira, mas oscilava em margens estreitas, à medida que os investidores analisavam dados em linha com o esperado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e de inflação nos Estados Unidos, com a política comercial da maior economia do mundo ainda em foco.

Às 10h27, o dólar à vista subia 0,4%, a R$5,6891 na venda. Na semana, a moeda acumula alta de 0,74%.

Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha alta de 0,33%, a R$5,687 na venda.

Os movimentos do real nesta sessão tinham como pano de fundo a força modesta da divisa norte-americana no exterior, com os mercados globais avaliando novos dados do indicador preferido de inflação do Federal Reserve e notícias que aumentavam as incertezas sobre as tarifas do presidente Donald Trump.

O governo norte-americano informou que seu índice PCE subiu 0,1% na base mensal em abril, ante estabilidade no mês anterior. Em 12 meses até abril, o indicador desacelerou para 2,1%, de um ganho de 2,3% março. Os números vieram praticamente em linha com o esperado.

As surpresas do dia vinham do noticiário sobre a política comercial dos EUA. Um tribunal federal de apelações decidiu restabelecer na quinta-feira as tarifas de Trump que haviam sido bloqueadas por uma corte de comércio no dia anterior, reforçando o que deve ser uma longa batalha judicial.

Na quarta-feira, a Corte de Comércio Internacional havia impedido a implementação das taxas anunciadas por Trump em 2 de abril com a alegação de que o presidente teria excedido sua autoridade, uma vez que estaria atuando sobre uma prerrogativa do Congresso.

Em outro desenvolvimento, Trump acusou a China de estar violando um entendimento alcançado neste mês entre as duas maiores economias do mundo para reduzir suas tarifas por 90 dias, gerando mais incertezas sobre o futuro das disputas comerciais dos EUA com os parceiros.

“Há uma leitura de que a Casa Branca está determinada a aplicar essas tarifas, então mesmo que a ordem judicial sobreviva a todos os recursos no futuro, há uma percepção de que a Casa Branca utilizaria outros mecanismos legais para aplicar essas taxas”, disse Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Em meio ao impasse, o Fed tem mantido a taxa de juros inalterada, e os dados de inflação desta manhã fortaleceram apostas de operadores de que um corte na taxa deve ocorrer somente em setembro.

O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,29%, a 99,536.

Na cena doméstica, o mercado nacional analisava dados do PIB do Brasil para o primeiro trimestre, que também vieram em linha com o esperado. O IBGE informou que a economia cresceu 1,4% no período de janeiro a março em relação aos três meses anteriores.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2024, o PIB teve expansão de 2,9%, contra expectativa de 3,2% em pesquisa da Reuters nessa base de comparação.

A agropecuária, com peso de cerca de 6,5% na economia, foi o principal responsável pela expansão da atividade econômica nos três primeiros meses do ano, com crescimento de 12,2% em relação ao quarto trimestre.

O resultado mantinha em torno de 90% as apostas de que o Banco Central pausará seu aperto monetário em junho, mantendo a taxa Selic em 14,75% ao ano, após a alta de 0,5 ponto percentual realizada neste mês.

O pregão ainda pode mostrar maior volatilidade devido à disputa no mercado pela formação da Ptax de fim de mês. Calculada pelo BC com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros.

 

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