Por Fernando Cardoso
SÃO PAULO (Reuters) – O dólar à vista oscilava pouco ante o real nesta terça-feira, à medida que os investidores continuam demonstrando cautela e se posicionando para o esperado anúncio de tarifas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto aguardam dados econômicos.
Às 9h45, o dólar à vista subia 0,24%, a R$5,7208 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha alta de 0,17%, a R$5,743 reais na venda.
Desde a semana passada, os mercados globais vêm atuando em compasso de espera pelo dia 2 de abril, quando Trump promete anunciar uma série de tarifas recíprocas, conforme busca responder a taxas e outras barreiras comerciais impostas por parceiros sobre produtos dos EUA.
Até o momento, poucos detalhes foram fornecidos sobre os planos de Trump, gerando uma forte sensação de incerteza entre investidores, o que tem significado sessões com pouca volatilidade ou maior aversão ao risco.
Em sua mais recente declaração sobre o tema, o presidente norte-americano disse no domingo que todos os países serão atingidos por seu anúncio de quarta-feira, afastando expectativas de que as medidas poderiam ser mais direcionadas.
Analistas temem que as tarifas de Trump possam gerar uma guerra comercial global, o que poderia reacender a inflação e causar recessão econômica nos EUA, que já vem demonstrando indícios de desaceleração da atividade.
“O mercado está bastante apreensivo com o ‘tarifaço’ do Trump… Não sabemos metrificar o potencial inflacionário, porque não sabemos a intensidade. Então, isso cria incerteza”, disse Nicolas Gomes, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.
O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,12%, a 104,300.
Nesta sessão os investidores ainda analisarão uma série de dados econômicos. Os destaques serão a pesquisa PMI sobre o setor industrial dos EUA em março, a ser divulgada pelo Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM), e o relatório Jolts sobre vagas de emprego em aberto em fevereiro na economia norte-americana, com a publicação de ambos às 11h.