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Crise de combustíveis na Argentina se agrava e governo ameaça interromper exportações

Argentina pede que juíza dos EUA suspenda condenação de US$16,1 bilhões

Por Eliana Raszewski

BUENOS AIRES (Reuters) – A crise dos combustíveis da Argentina se agravou nesta segunda-feira, com os postos da capital Buenos Aires ficando sem gasolina e com longas filas formadas em toda a região, enquanto o governo cogita interromper as exportações para preservar os estoques e os trabalhadores do setor ameaçam entrar em greve.

O país, um grande produtor de petróleo e gás de “shale”, vem sofrendo com a falta de gasolina e diesel desde a semana passada, devido a problemas internos com o refino e com a escassez de dólares, que atrasou as importações.

A crise tem prejudicado a imagem do governo antes do segundo turno presidencial, marcado para o próximo mês e que terá o confronto entre o peronista Sergio Massa, atual ministro da Economia, e o libertário radical Javier Milei. O governista é visto como líder da corrida neste momento.

Na capital, repórteres da Reuters presenciaram postos de gasolina sem o produto e com placas avisando que não havia mais combustível. Em outros lugares, longas filas se formavam, e alguns estabelecimentos estavam fazendo racionamento das vendas.

Executivos de empresas petrolíferas afirmam que há greves sendo planejadas nas refinarias locais, que fornecem 80% do suprimento doméstico, e que o fato de a nação ter poucas reservas internacionais de dólares tem dificultado as importações.

“Não é um problema de falta de petróleo, o problema é que não há mais capacidade de processamento com as refinarias que temos na Argentina”, afirmou uma fonte da indústria, que pediu para não ser identificada. “Além disso, você precisa de dólares para pagar pelas importações, e o Banco Central não tem. E, mesmo se importassem, as refinarias perdem dinheiro, vendendo na bomba a um preço inferior daquele que usam para comprar.”

Para tentar diminuir a inflação, que está em quase 140% em termos anualizados, o governo argentino fixou o preço do petróleo em 56 dólares o barril, muito abaixo dos vistos no mercado internacional, de cerca de 86 dólares < LCOc1>. Tal decisão distorce a lógica econômica das companhias que importam produtos do exterior.

AMEAÇA DE FIM DAS EXPORTAÇÕES

Durante o fim de semana, Massa disse às petrolíferas que elas precisam resolver o problema da demanda interna até o fim da terça-feira, ou o governo vai interromper as remessas de exportação de petróleo de xisto do grande campo de Vaca Muerta.

“Defenderei o suprimento interno, defenderei o consumo dos argentinos”, afirmou.

Sindicatos locais apoiaram a posição de Massa e estão ameaçando realizar uma greve a partir de quarta-feira se a situação doméstica não se resolver. Eles afirmam que a produção é recorde e que as empresas petrolíferas estão sendo “oportunistas e mesquinhas”.

Uma segunda fonte anônima disse que o problema realmente não é a produção, mas o refino e as barreiras às importações, mas que interromper a produção em Vaca Muerta não ajudaria a resolver a situação.

 

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