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CEO da LATAM vê mais cortes de capacidade no setor aéreo se choque de combustíveis persistir

Por Rajesh Kumar Singh e Gabriel Araujo

RIO DE JANEIRO, 7 Jun (Reuters) – O presidente-executivo da LATAM Airlines , Roberto Alvo, disse que o setor aéreo pode precisar reduzir ainda mais a capacidade caso os preços elevados dos combustíveis persistam até 2027, alertando para a crescente pressão sobre as companhias aéreas.

“Se isso se estender por mais tempo, acho que o setor terá que ajustar ainda mais a capacidade”, disse Alvo em entrevista à Reuters durante a reunião anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo, realizada no Rio de Janeiro.

“No final das contas, essa é a única maneira de tentar equilibrar a equação no setor.”

Alvo disse que as companhias aéreas com balanços patrimoniais sólidos e com mais viajantes premium estavam em melhor posição para absorver o choque do combustível. Já as transportadoras com finanças mais fracas ou maior exposição a clientes altamente sensíveis a preços, como as transportadoras de custo ultrabaixo, enfrentariam mais desafios, disse ele.

AUMENTO DOS CUSTOS DE EMPRÉSTIMOS

Ele disse que os custos de financiamento mais altos para as companhias aéreas já estão se refletindo nos preços dos títulos negociados publicamente, à medida que os investidores reagiam ao choque do combustível. Se o impacto da guerra durar mais tempo, “a situação não vai melhorar”, disse Alvo.

Os hedges de combustível da LATAM não estão protegendo totalmente a companhia aérea porque os preços atuais estão acima da faixa coberta por esses contratos, disse Alvo. Segundo ele, o hedge pode ajudar a suavizar as margens ao longo do tempo, mas não pode proteger totalmente uma companhia aérea de um aumento repentino do preço do combustível, acrescentou.

Alvo disse que os problemas na cadeia de suprimentos de aeronaves e motores provavelmente continuarão a ser um desafio por mais dois ou três anos, forçando as companhias aéreas a manter os aviões mais antigos em serviço por mais tempo. Os fabricantes de estruturas de aeronaves e de motores “não conseguiram cumprir seus compromissos”, disse ele.

Alvo também disse que os fabricantes de motores ganharam poder de precificação devido à escassez, mesmo quando as companhias aéreas absorveram o custo dos aviões e motores atrasados.

“Temos que absorver o problema de não termos os motores das aeronaves que compramos e que nossos fornecedores prometeram”, disse ele.

(Reportagem de Rajesh Kumar Singh e Gabriel Araujo no Rio de Janeiro)

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