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ANÁLISE-Investidores procuram por ativos na América Latina para se distanciarem de Wall Street

Vista panorâmica do skyline de São Paulo com vários edifícios altos e modernos, mostrando a arquitetura urbana e o movimento na cidade.

Por Rodrigo Campos e Carolina Mandl

NOVA YORK (Reuters) – A América Latina tem surgido como um dos principais destinos de investimento, uma vez que as guerras em curso – tanto militares quanto comerciais – fazem com que os investidores busquem opções em uma região que eles consideram como surpreendentemente livre de tarifas e de grandes conflitos.

Dados sobre os fluxos de portfólio sugerem que os investidores estão, em grande parte, subexpostos à América Latina, mesmo com muitos mercados de ações – incluindo o do Brasil e o do México – sendo negociados em níveis recordes ou próximos a eles, enquanto os títulos soberanos oferecem rendimentos atraentes.

“A história da América Latina é mais fácil de contar agora, já que as ações estão baratas e há uma falta de opções nos mercados emergentes”, disse Leonard Linnet, chefe de ações do Itaú BBA.

“A China está no epicentro da guerra comercial, a Índia está mais cara e tem alguns problemas geopolíticos com o Paquistão e os investidores estão evitando investir na Rússia.”

O Brasil e o México são os gigantes onde a maioria dos investidores internacionais concentra sua exposição à América Latina. Ambos têm, de longe, os maiores pesos regionais nos índices de referência globais para ações e títulos.

Entretanto, entre todos os mercados emergentes, os dois países são relativamente pequenos. O Brasil, que é a maior economia e mercado da América Latina, constitui 60% do índice MSCI Latam e pouco menos de 5% do índice mais amplo de emergentes.

Os mercados de ações do Brasil e do México estão sendo negociados perto de recordes e com avaliações baixas, e seus títulos oferecem rendimentos atraentes com o pano de fundo de uma política monetária mais branda.

As avenidas de investimento se afunilam para algumas instituições, pois alguns mercados latino-americanos são comparativamente ilíquidos ou não têm classificações de crédito com grau de investimento. Mas nesse ambiente de maior risco, outros investidores veem retornos.

“A oportunidade de investimento na América Latina não exige grandes mudanças nas alocações de ativos globais”, disse Rob Citrone, fundador do hedge fund Discovery Capital, a seus investidores.

“Os fluxos de ativos, na margem, ditam grande parte do desempenho dos preços, de modo que pequenas mudanças em grandes mercados, como os EUA, podem ter grandes impactos em mercados menores, como a maioria dos mercados da América Latina.”

Depois de um declínio de 26% no índice de ações regionais no ano passado, a América Latina tem o melhor desempenho entre mercados de ações neste ano.

Dentro do universo MSCI, os investidores estão pagando pouco mais de US$9 por cada dólar em lucros na Latam – em comparação com mais de US$19 para os mercados desenvolvidos.

Embora o México esteja mais próximo do epicentro da guerra comercial, suas empresas listadas não estão tão expostas a ela, de modo que as ações do país estão subindo.

Com sua taxa de juros em 14,75%, o real emergiu como uma das moedas favoritas de “carry trade” e subiu mais de 9% em relação ao dólar neste ano. O índice de moedas da América Latina subiu quase 15% neste ano e, na semana passada, atingiu o maior valor em 14 anos.

As perspectivas para a economia global e a questão da realocação fora dos Estados Unidos enfrentam incertezas e ainda é muito cedo para esperar influxos significativos para a América Latina, disse Graham Stock, estrategista sênior de mercados emergentes da RBC Global Asset Management.

“Dito isso, sempre é possível ver operações de curto prazo com baixa do dólar e alguma alocação em moedas latino-americanas, porque elas têm alto rendimento. O carry é atraente lá, e acho que isso é parte do que temos visto.”

O Brasil também atrai a maior parte do capital de risco da região, com mais de 1.400 startups apoiadas desde 2013 até o primeiro semestre do ano passado, de acordo com os dados mais recentes da LAVCA, enquanto Uruguai, Chile e Colômbia surgiram como centros alternativos de inovação.

 

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