thomson reuters

BLOG | REVISTA DOS TRIBUNAIS

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Direito Administrativo do Medo chega à sua terceira edição

Direito Administrativo do Medo chega à sua terceira edição

A obra “Direito Administrativo do Medo“, de Rodrigo Valgas, com prefácio do ilustríssimo Marçal Justen Filho, aborda de maneira inovadora a influência do medo na interpretação e aplicação das normas de Direito Administrativo, bem como no exercício da função administrativa. Lançamento de novembro aqui da RT, esta é a terceira edição do livro, que se destaca pela revisão, ampliação e atualização, incorporando as profundas alterações na Lei 8.429/1992, a posição do STF em relação às ADIs contra a Lei 14.230/2021, a pesquisa empírica conduzida pelo TCU-coLAB-i e os novos aspectos do direito administrativo do medo relacionados à normatização da prescrição punitiva e ressarcitória nos tribunais de contas.

A expressão “Direito Administrativo do Medo” foi introduzida pelo autor em 2015, evidenciando uma preocupação que perdura há mais de uma década. O livro destaca a presença do medo no processo de tomada de decisão dos agentes públicos, decorrente do elevado risco de responsabilização pelo controle externo disfuncional. A autoproteção decisória e a fuga da responsabilização, em detrimento do interesse público, são temas centrais explorados pela obra.

A paralisia decisória, também conhecida como “apagão das canetas”, é apresentada como uma manifestação notória do problema, evidenciando a hesitação dos agentes públicos em tomar decisões assertivas devido ao receio das consequências legais. O livro propõe uma análise aprofundada desses fenômenos, buscando compreender suas causas, onde ocorrem mais intensamente, como assegurar certo grau de proteção decisória e quais técnicas são utilizadas pelos administradores públicos para evitar responsabilizações.

Ao longo das edições, a obra incorporou novos elementos, e ela estuda os fenômenos buscando compreender:

  1. quais as suas causas;
  2. onde ocorre mais intensamente;
  3. como assegurar certo grau de proteção decisória; e
  4. quais técnicas são utilizadas pelo administrador público para evitar sua responsabilização. ​

O livro não se limita a questões teóricas, mas enfrenta desafios práticos no âmbito das ações de improbidade, dos tribunais de contas e da Justiça Eleitoral. Com uma abordagem crítica e propositiva, a obra oferece bases teóricas para compreender o Direito Administrativo do Medo e contribui para a reflexão e discussão sobre como superar os desafios impostos pelo medo na administração pública.

“A ideia de limitação da responsabilidade e de certo nível de proteção legal do agente responsável pela tomada de decisão – seja ele público ou privado – está na base de muitas das considerações aqui desenvolvidas. Quando o sistema jurídico não se mostra suficiente para proteger os responsáveis pela tomada de decisão na tutela de interesse alheios, é que os agentes adotarão estratégias de fuga da responsabilização para preservar sua esfera de direitos subjetivos.

A necessidade de proteção legal pelos riscos inerentes ao processo decisório ocorre tanto no âmbito das relações privadas como públicas. No âmbito do Direito Privado e da blindagem dos administradores das empresas privadas, destaca-se a Business Judgment Rule (doravante chamada de BJR) ou “Regra do bom juízo empresarial”, ou apenas “a Regra”, formulada na jurisprudência norte-americana no direito societário, mas incorporada em diversos ordenamentos positivos ao redor do globo, inclusive o brasileiro como veremos mais adiante […]” (VALGAS, Rodrigo. 2023. p. 290)

 

O Público-alvo abrange tanto os profissionais e estudiosos do Direito, como magistrados, advogados, membros do Ministério Público e da Defensoria Pública.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas

Post Relacionado

Resolução CVM e Fundos de Investimento: novas regras de governança e ativos digitais

Resolução CVM e Fundos de Investimento: novas regras de governança e ativos digitais

O mercado de fundos de investimento brasileiro atravessa uma das transformações regulatórias mais relevantes das últimas décadas. Em um cenário marcado pela digitalização da economia, pela sofisticação dos produtos financeiros e pelo crescimento do interesse dos investidores por novos ativos, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) promoveu uma importante modernização

Registro Civil de Pessoas Naturais: o impacto do Serp e dos atos 100% digitais

Registro Civil de Pessoas Naturais: o impacto do Serp e dos atos 100% digitais

Nos últimos anos, a digitalização deixou de ser uma tendência para se tornar uma realidade consolidada em diferentes setores da sociedade. No Direito, essa mudança tem sido especialmente perceptível nos serviços extrajudiciais, que vêm incorporando ferramentas tecnológicas capazes de tornar procedimentos mais ágeis, acessíveis e eficientes. Nesse cenário, o Registro

Relevância no recurso especial e o sistema de precedentes

Relevância no recurso especial e o sistema de precedentes

A relevância da questão de direito federal apresenta-se como um novo requisito para o recurso especial. A Comissão instituída pelo IBDP tinha diante de si uma escolha de método: tratá-la apenas como mais um filtro de admissibilidade ou inseri-la também no centro do sistema de precedentes do Código de Processo

REVISTA DOS TRIBUNAIS
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.