thomson reuters

BLOG | REVISTA DOS TRIBUNAIS

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Senado aprova reciprocidade a medidas comerciais contra o Brasil e Câmara pode votá-la ainda nesta semana

Sessão do Senado Federal do Brasil, com senadores em discussão, painel de votação e ambiente de trabalho legislativo, representando a democracia e os processos políticos do país.

Por Ricardo Brito e Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) – O Senado aprovou nesta terça-feira projeto que estabelece critérios para a reação do Brasil a barreiras e imposições comerciais de nações ou blocos econômicos contra o país, como o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a medida legislativa pode ser votada ainda nesta semana pela Câmara dos Deputados.

Com o apoio de governistas e de setores do Congresso que se alinham à oposição, como a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a proposta foi aprovada por unanimidade no plenário do Senado — antes, pela manhã, ela foi aprovada com facilidade pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Casa –, e segue, agora, para a Câmara dos Deputados.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já avisou que tem mantido conversas com lideranças partidárias e até mesmo com o provável relator do projeto, o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da FPA. No Senado, a proposta foi relatada por ninguém menos que a ex-ministra da Agricultura do governo de Jair Bolsonaro, a agora senadora Tereza Cristina (PP-MS).

“Já estamos conversando com o colégio de líderes para que, se possível, excepcionalmente, possamos já trazer a matéria ao plenário ainda nesta semana”, disse o presidente da Câmara.

“Este episódio entre Estados Unidos e Brasil deve nos ensinar, definitivamente, que nas horas mais importantes não existe um Brasil de esquerda ou um Brasil de direita. Existe apenas o povo brasileiro. E nós, representantes do povo, temos de ter a capacidade de defender o povo acima de nossas diferenças”, disse Motta.

O texto aprovado estabelece medidas de resposta a decisões unilaterais de outros países que impactem negativamente a competitividade brasileira e não se refere apenas aos Estados Unidos, mas a todos os mercados com os quais o Brasil tem comércio exterior.

De autoria do senador oposicionista Zequinha Marinho (PL-PA) e inicialmente voltada à reciprocidade de padrões ambientais exigidos de produtos brasileiros vendidos a outros países, a proposta ganhou força e teve a sua abrangência ampliada para dar condições ao Brasil de adotar contramedidas na mesma base das determinações adotadas contra o país, segundo a relatora no Senado.

“Aí então o governo brasileiro tem ferramentas para contrapor quando essas medidas forem desarrazoadas ao nosso mercado”, destacou Tereza Cristina.

As exportações brasileiras de gás e alumínio aos Estados Unidos passaram a sofrer uma taxação adicional no mês passado. Trump também promete anunciar na quarta-feira tarifas de importação recíprocas que atingiriam todos os parceiros comerciais dos EUA.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dito que quer “gastar todas as palavras” nas negociações para alcançar um acordo e evitar tarifas, mas o governo brasileiro também não descarta recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as taxas impostas pelos norte-americanos.

Mais cedo, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, elogiou a aprovação da proposta.

“Ter um arcabouço jurídico-legal é positivo”, disse em entrevista a jornalistas ao participar de feira do setor de defesa no Rio de Janeiro. “A iniciativa do Senado procura preservar o interesse do Brasil”.

 

(Reportagem de Ricardo Brito e Maria Carolina Marcello, em Brasília; Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro)

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas

Post Relacionado

Imagem aérea do edifício governamental em Brasília, com prédios modernos e áreas verdes ao redor, sob céu parcialmente nublado.

Analistas reduzem projeção de inflação este ano pela 2ª vez, a 4,02%

SÃO PAULO, 19 Jan (Reuters) – Analistas consultados pelo Banco Central reduziram pela segunda vez seguida a projeção para a inflação este ano, de acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira. A estimativa para a alta do IPCA em 2026 agora é de 4,02%, contra 4,05%

Imagem de um porto de containers à noite, com várias torres de crane e iluminação, vista ao fundo com três pessoas ao telefone em primeiro plano.

FMI eleva projeção de crescimento global em 2026 com boom de IA

Por David Lawder 19 Jan (Reuters) – O Fundo Monetário Internacional elevou novamente sua previsão de crescimento global para 2026 nesta segunda-feira, à medida que as empresas e as economias se adaptam às tarifas dos Estados Unidos e a um contínuo boom de investimentos em IA, que alimentou os ganhos

REVISTA DOS TRIBUNAIS
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.