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Limitada agora, exportação de sorgo do Brasil deve avançar no 2º semestre, diz chinesa Hang Tung

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 2 Mar (Reuters) – A exportação de sorgo do Brasil neste primeiro semestre está limitada por uma oferta restrita, já que exportadores competem com produtores de ração e de etanol de grãos na originação do cereal, apesar de uma recente abertura da China para o produto brasileiro, disse o diretor-geral no Brasil da chinesa Hang Tung, à Reuters.

Mas a trading Hang Tung, uma das maiores negociadoras de sorgo do mundo, com movimentações anuais de 2,5 milhões a 3 milhões de toneladas, de múltiplas origens, avalia que os negócios com o cereal brasileiro prometem ser mais aquecidos na segunda parte do ano, com a chegada da safra nacional e expectativas relacionadas à demanda da China.

“Agora é entressafra. Portanto, acho que o volume (de exportações) será limitado”, disse Gabriel Cordeiro, diretor-geral da Hang Tung no país, ponderando que no segundo semestre, já com a safra sendo colhida, poderia haver mais movimentação.

O período mais propício para exportação seria de “julho em diante”, já que sorgo é cultura de segunda safra, reforçou ele.

O Brasil não é um exportador tradicional de sorgo, mas há potencial de crescimento, especialmente após a China, maior importador do mundo, ter habilitado dez companhias brasileiras a exportar o cereal em novembro ano passado.

As habilitações da China aconteceram em um contexto de guerra comercial de Pequim com Washington em 2025, com os chineses buscando suprimentos alternativos ao seu histórico grande fornecedor, os EUA, antes de uma trégua assinada pelos dois países.

“O Brasil tem interesse em produzir, mas a produção estava limitada em liquidez. Com a vinda da China, que compra em torno de 6 milhões a 9 milhões de toneladas, dependendo do ano, esse cenário de liquidez melhora para o produtor”, disse Cordeiro, que não detalhou quanto a Hang Tung poderia originar no Brasil.

O Brasil deverá colher 6,7 milhões de toneladas de sorgo em 2025/26, aumento de quase 10% ante a temporada passada, segundo números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume é mais que o triplo da colheita registrada há cinco anos.

Segundo Cordeiro, tem havido também incentivo recente das indústrias de etanol de grãos, que compram sorgo para a fabricação do biocombustível, enquanto a China poderá participar mais do mercado brasileiro à medida que a safra cresça, como já acontece nos mercados de soja e milho.

“Do nosso lado, estamos bem otimistas tanto com o futuro da produção (de sorgo) no Brasil como com a demanda da China”, disse o diretor-geral da Hang Tung.

Em janeiro, o Brasil fez sua primeira exportação de sorgo para a China desde 2014, mas de apenas cerca de 25 toneladas, basicamente o volume de um contêiner, segundo dados do governo brasileiro.

Uma fonte no mercado avaliou anteriormente que o negócio foi feito por um importador pequeno ou mesmo por algum comprador que busca conhecer o produto nacional, neste primeiro momento.

Uma carga maior, de 32 mil toneladas de sorgo, contudo, deverá ser embarcada para o Marrocos no início de março, segundo dados da agência marítima Cargonave, confirmados pelo exportador do produto, a Agribrasil.

Considerando este volume, os totais exportados pelo Brasil já deverão superar os embarques de sorgo de todo o ano passado, que foram ínfimos (105 toneladas), segundo dados do governo brasileiro.

No entanto, a expectativa é de um aquecimento maior dos embarques, principalmente se a China passar a originar mais no Brasil.

Apesar dos dez estabelecimentos no Brasil terem sido habilitados para exportar sorgo à China no ano passado, ainda há alguns “esclarecimentos pequenos” e ajustes que precisam ser feitos para os embarques deslancharem, como mais habilitações, segundo Cordeiro.

“Tem mais algumas (companhias) que estão aguardando a liberação, e isso é um dos pontos que estão sendo discutidos para aumentar o fluxo.”

 

(Por Roberto Samora)

 

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