Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) – O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, tendo as ações de bancos entre os principais suportes, enquanto os papéis do Carrefour Brasil dispararam mais de 11% com analistas enxergando um cenário mais promissor para o varejista após prejuízo no último trimestre do ano passado.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,68 %, a 129.916,11 pontos, encerrando na máxima do dia, mas com a queda de Vale e Petrobras evitando um fechamento acima dos 130 mil pontos. Na mínima, chegou a 128.326,04 pontos.

O volume financeiro somou 28,3 bilhões de reais.

A bolsa paulista encontrou apoio na queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, onde o Treasury de 10 anos marcava 4,2733% no final da tarde, de 4,295% na véspera, endossando o alívio na curva de juros local.

As bolsas norte-americanas, por sua vez, tiveram uma sessão negativa, com o Nasdaq caindo 0,92%, pressionado pelas ações da Nvida antes da divulgação do resultado da fabricante de chips na quarta-feira, após o fechamento do mercado. O S&P 500 cedeu 0,60%.

Investidores também aguardam na quarta-feira a ata da última decisão de política monetária do Federal Reserve, quando o banco central dos EUA manteve a taxa de juros daquele país entre 5,25% e 5,50% e afirmou que precisava de mais “confiança” em relação à inflação para começar a cortar.

Naquela ocasião, no final do mês passado, o chair do Fed, Jerome Powell, esfriou de vez as apostas de um corte ainda no primeiro trimestre do ano ao afirmar que avaliava não ser “provável que o comitê atingirá um nível de confiança no momento da reunião de março”.

Pesquisa da Reuters publicada nesta terça-feira mostrou que 84 de 104 economistas consultados de 14 a 20 de fevereiro esperam que o Fed cortará os juros pela primeira vez no segundo trimestre do ano. Desses, 53 esperam que a reunião de junho seja a mais provável para o corte.

Na visão do sócio e chefe de análise da Levante Investimentos, Enrico Cozzolino, apesar da alta nesta sessão, o mercado de ações brasileiro continua carente de fluxos financeiros globais, que têm fluído para ativos mais seguros, enquanto permanece a cautela em relação ao Fed.

“É um mercado bastante cauteloso sobre quando virá o corte de juros…se vem mais cedo ou mais tarde do que o esperado”, afirmou. “Isso explica esse fluxo global e esse Ibovespa moroso”, acrescentou. Após recuar quase 4,8% em janeiro, o Ibovespa acumula em fevereiro acréscimo de quase 1,5%.

Dados de fluxo externo da B3 ainda mostram saída líquida da bolsa paulista em fevereiro, de cerca de 6,9 bilhões de reais até o dia 16. No primeiro mês do ano, as vendas de estrangeiros superaram as compras em quase 7,9 bilhões de reais.

De acordo com o especialista da Blue3 Investimentos Rodrigo Alencar, o Ibovespa nesta terça-feira foi puxado em grande parte pelos bancos, mas teve desempenho segurado pelos papéis da Vale, em razão da forte queda dos preços do minério de ferro na China.

Ele também acrescentou que mercado está cauteloso, aguardando a ata do Fed, que pode trazer mais pistas sobre as decisões das próximas reuniões do BC norte-americano.

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