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Dólar supera os R$5,30 com maior alta desde os primeiros dias da guerra no Oriente Médio

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 20 Mar (Reuters) – O dólar fechou a sexta-feira com alta firme no Brasil e novamente acima dos R$5,30, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, em meio aos receios sobre os impactos econômicos da guerra no Oriente Médio.

O dólar à vista fechou a sessão com alta de 1,84%, aos R$5,3125. Foi a maior alta em um único dia desde 3 de março, na primeira semana da guerra, quando subiu 1,91%

Nesta semana, a divisa acumulou leve baixa de 0,08% e, no ano, recuo de 3,22%.

Às 17h18, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — subia 1,54% na B3, aos R$5,3185.

O avanço global do dólar ganhou força no fim da manhã, com a percepção de que a guerra no Oriente Médio pode durar mais do que o inicialmente esperado.

Três autoridades norte-americanas disseram à Reuters que os EUA estão enviando milhares de fuzileiros navais e marinheiros para o Oriente Médio. As fontes, que falaram sob condição de anonimato, não especificaram qual seria o papel dos soldados adicionais.

Além disso, Israel e Irã continuaram seus ataques na região, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, criticou seus aliados da Otan por conta da falta de apoio à guerra, chamando-os de “covardes”.

Neste cenário, o dólar subiu ante praticamente todas as demais divisas, incluindo pares do real como o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano.

O petróleo tipo Brent zerou as perdas de mais cedo e passou a subir, encostando nos US$112 o barril, e os rendimentos dos Treasuries tinham ganhos firmes, com investidores avaliando que as chances de um corte de juros nos EUA este ano diminuíram.

“Essa percepção do mercado de que a guerra pode se prolongar está fazendo o mercado ajustar a perspectiva — e as apostas — sobre o Fed”, comentou no início da tarde Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, ao justificar a aceleração do dólar ante o real. “O ‘driver’ (vetor) dos negócios (no câmbio) é 100% o externo hoje.”

Neste cenário, o dólar à vista atingiu a cotação máxima de R$5,3268 (+2,12%) às 16h38, para depois encerrar pouco abaixo deste nível — mas acima dos R$5,30, um ponto de resistência técnica importante.

No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de abril.

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