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Brasil oferece cabines de cruzeiro gratuitas a nações mais pobres que buscam por quartos na COP30

Vista aérea de uma área de floresta com rio e um bairro com pequenas casas, com a cidade ao fundo, destacando a importância da preservação ambiental para sustentabilidade.

Por Lisandra Paraguassu e Kate Abnett

BRASÍLIA/BRUXELAS (Reuters) – Dezenas de países ainda não garantiram acomodação para suas delegações na cúpula climática COP30, apenas uma semana antes de seu início, com o anfitrião Brasil oferecendo cabines gratuitas em navios de cruzeiro para as nações mais pobres, em uma tentativa de última hora para garantir sua participação.

Cerca de 50.000 delegados são esperados na cidade de Belém, na floresta tropical, onde quase todos os governos vão se reunir de 10 a 21 de novembro para negociar as metas climáticas. Mas as preocupações logísticas têm atrapalhado os preparativos: Belém normalmente tem apenas 18.000 leitos de hotel, fazendo com que as diárias subam para várias centenas de dólares.

Até 31 de outubro, 149 países haviam confirmado a hospedagem, enquanto 37 ainda estavam negociando, informou o governo brasileiro.

O BRASIL PROMETE QUE TODOS TERÃO VOZ ATIVA

O Brasil prometeu garantir que as nações mais pobres e mais vulneráveis ao clima do mundo tenham suas vozes ouvidas na cúpula da ONU.

O aumento dos custos de acomodação já havia levado a ONU a realizar reuniões de emergência em resposta aos avisos dos países africanos e das pequenas nações insulares de que não teriam condições de comparecer — mesmo depois de o Brasil e a ONU terem subsidiado os custos dos hotéis.

Um email vazado visto pela Reuters mostrou que o Brasil ofereceu na semana passada três cabines gratuitas a bordo de navios de cruzeiro atracados em Belém para delegações de nações de baixa renda.

O email, enviado pelo secretariado climático da ONU (UNFCCC), dizia que as cabines seriam financiadas por “doadores privados” e pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe, e coordenadas pelo governo brasileiro em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

“Essas cabines serão oferecidas gratuitamente à sua delegação”, dizia o email, acrescentando que elas eram complementares às reservas existentes.

Nem a UNFCCC nem o PNUD responderam aos pedidos de comentários.

Na semana passada, o presidente da COP30, André Correa do Lago, disse que as cabines gratuitas seriam destinadas a países africanos, pequenos Estados insulares e países menos desenvolvidos — cerca de 96 nações no total, de acordo com cálculos da Reuters.

“Com isso, teremos um apoio significativo para que todos os países em desenvolvimento possam estar presentes na COP”, disse Correa do Lago.

Alguns países europeus mais ricos também indicaram que podem deixar de participar das negociações globais sobre o clima deste ano após receberem cotações de preços de acomodação superiores a US$500 por pessoa e por noite.

(Reportagem de Kate Abnett e Lisandra Paraguassu. Reportagem adicional de Emma Farge em Genebra)

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