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Como escrever prompts para IA e otimizar seu trabalho jurídico?

prompts para IA

A Inteligência Artificial Generativa deixou de ser promessa para se tornar uma aliada prática do profissional do Direito. Hoje, quem domina o “como perguntar” consegue extrair pesquisas mais rápidas, rascunhos mais sólidos, peças mais bem  estruturadas, rotinas mais eficientes e insights estratégicos. 

O começo é bem tranquilo: aprender a criar bons prompts. A seguir, vamos te apresentar um guia direto para ajudar você a transformar a inteligência artificial em uma ferramenta poderosa no seu dia a dia no setor jurídico.

1 – Comece pelo propósito: o que você quer que a Inteligência Artificial faça?

Antes de digitar, defina o objetivo com precisão:

  • Tarefa: resumir, esboçar, comparar, listar, revisar, reformular, simular audiência/oralidade, sugerir estratégias.
  • Entregável: tópicos, parágrafos, checklists, tabela, linha do tempo, cláusulas.
  • Público: colega advogado, cliente leigo, magistrado, gestor do jurídico, estagiário.

Exemplo rápido: “Você é advogado de direito do trabalho. Resuma, em até 10 bullets objetivos, os fundamentos da decisão X, destacando riscos para empregadores e medidas mitigadoras. Escreva para público executivo não jurídico.”

2 – Dê um “personagem” à IA.

Definir a persona faz a IA responder no tom e com as prioridades corretas:

  • “Aja como um advogado sênior de contencioso cível.”
  • “Você é um professor de 5ª série: explique a tese de forma acessível.”
  • “Assuma o papel de gerente jurídico corporativo: foque em risco, custo e prazo.”

3 – Forneça um pouco mais de contexto, sem deixar de incluir as informações mais importantes.
Quanto mais detalhes relevantes você der, mais útil será a resposta:

  • Fatos do caso, ramo, fase processual, objetivo (ganhar tese, negociar acordo, reduzir exposição), limitações (prazo curto, informação incompleta), linguagem (formal/acadêmica/coloquial).
  • Se houver documentos, copie os trechos mais importantes, lembrando de remover qualquer informação confidencial.).

4 – Especifique formato e critérios de qualidade.

Indique como você quer o resultado e como irá avaliá-lo:

  • “Entregue em tópicos com cabeçalhos.”
  • “Inclua prós e contras, riscos e próximos passos.”
  • “Use linguagem clara, sem jargões, com exemplos práticos.”
  • “Evite afirmações sem base. Se não tiver certeza, sinalize.”

5 – Traga exemplos e referências (few-shot prompting).

Um pequeno exemplo ilustrando o estilo:

  • “Exemplo de cláusula bem redigida: [trecho]. Siga esse padrão.”
  • “Este é o tom que quero: direto, conciso, com bullets.”

6 – Peça raciocínio passo a passo (quando for pertinente).

A “solicitação com processo de pensamento” auxilia em situações complexas:

  • “Analise passo a passo as hipóteses, a legislação aplicável e os riscos prováveis. Só então proponha a estratégia.”

7 – Use prompts em duas fases.

Melhore a qualidade separando coleta de dados e elaboração:

  • Fase 1: “Liste 10 pontos jurídicos essenciais sobre [tema].”
  • Fase 2: “Com base nesses pontos, escreva um parecer de 800 palavras, com recomendações práticas e plano de ação.”

8 – Reitere, refine e itere Um bom resultado raramente sai de primeira.

Peça ajustes:

  • “Reescreva mais conciso, preserve os argumentos 2 e 4, acrescente um exemplo prático.”
  • “Transforme em checklist executável.”
  • “Converta em perguntas para entrevista de levantamento de fatos com o cliente.”

9 – Aborde vieses, limitações e verificação.

Seja explícito sobre segurança e qualidade:

  • “Evite vieses e estereótipos.”
  • “Não invente jurisprudência. Se não tiver certeza, não escreva.”
  • “Indique onde a checagem humana é imprescindível.”
  • “Liste possíveis lacunas e quais dados adicionais você precisaria.”

10 – Estruture prompts com um framework simples.

(6 passos práticos)

  • Personagem: quem responde? (ex.: “advogado tributarista sênior”)
  • Solicitação: o que fazer? (ex.: “redija minuta de contestação”)
  • Exemplos: há modelo/estilo? (ex.: “siga este tom e estrutura”)
  • Ajustes: preferências de tom/forma (ex.: “claro, objetivo, com bullets”)
  • Tipo de saída: formato final (ex.: “checklist + cláusulas sugeridas”)
  • Comandos extras: perguntas ao usuário, limites, foco (ex.: “antes de responder, faça até 5 perguntas para sanar lacunas”)

11 – Peça para a IA perguntar antes de responder.

Isso eleva a qualidade do output:

  • “Antes de elaborar, faça as 10 perguntas mais críticas para entender o caso e otimizar a estratégia.”

12 – Adapte a linguagem ao público

  • Cliente leigo: metáforas simples, sem jargões, foco em decisões.
  • Magistrado: clareza, objetividade, fundamentos, estrutura lógica.
  • C-level: impacto econômico, risco, prazos, plano executivo.

13 – Use formatos que aceleram a execução

  • Tabelas comparativas (teses A x B, cláusula atual x cláusula revisada).
  • Linhas do tempo (fatos/processo).
  • Checklists (due diligence, compliance, reunião de kick-off).
  • Pictogramas ou fluxos em texto para explicar processos.

14 – Ganhos práticos no contencioso, consultivo e gestão

  • Contencioso: roteiros de audiência, mapas de tese, minutas-base, Q&A para depoimentos, simulação de contra-argumentos.
  • Consultivo/contratos: revisão de cláusulas, “red flags”, versões alternativas (hard/soft), políticas e manuais.
  • Gestão: planos de implantação, OKRs do jurídico, políticas de privacidade, playbooks de negociação, onboarding de equipe.

15 – Segurança e confidencialidade

  • Remova dados pessoais/sensíveis ou anonimize.
  • Não cole informações estratégicas sem política interna clara.
  • Use versões corporativas/seguras sempre que possível.
  • Mantenha a checagem humana e o duplo controle.

16 – Parâmetros e “temperatura” (quando disponíveis)

  • Temperatura baixa: respostas mais conservadoras e consistentes para textos técnicos.
  • Saídas curtas vs. longas: defina limites (“entre 300 e 500 palavras”, “máximo 10 bullets”).
  • “Tokens de parada”/tempo: peça para pausar e confirmar antes de seguir.

17 – Boas práticas para qualidade consistente

  • Seja específico, contextual e estruturado.
  • Peça justificativas e trilha lógica (“por que?”).
  • Estimule transparência de incerteza (“quando você não souber, diga”).
  • Valide sempre: reputação, jurisprudência, dados. IA alucina.
  • Avalie e melhore seus próprios prompts: o que funcionou? O que faltou? Quais perguntas a IA deveria ter feito?

Elaborar bons prompts é a nova competência fundamental para o profissional de Direito que deseja aumentar a produtividade, a qualidade e a rapidez, com uso da IA. Com um objetivo claro, um contexto sólido, uma persona apropriada, um formato estabelecido e uma interação consciente, a Inteligência Artificial deixa de ser apenas uma curiosidade e se transforma em um instrumento estratégico. 

Inicie de forma simples, estabeleça o que funciona, construa sua biblioteca de convites e integre esse processo à rotina da equipe, e assim, perceberá resultados concretos em dias, não em meses.

Se você quer se aprofundar com frameworks práticos, exemplos prontos e técnicas avançadas de prompting aplicadas ao Direito, o livro “Manual de Engenharia de Prompts no Direito” de Solano de Camargo, está à venda em nosso site.

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